Os genes, o meio, a diabetes e a obesidade

Estudo publicado na “PLOS ONE”

28 agosto 2013
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A diabetes e a obesidade apresentam muitas variantes genéticas raras que são determinantes no desenvolvimento de tratamentos eficientes, indica um estudo recente.

 

É largamente sabido que a diabetes e a obesidade, para além de estarem interligadas, são ambas determinadas por uma base genética muito forte. O estudo conduzido por Lesley Campbell, Director dos Serviços para a Diabetes no St. Vincent's Hospital e membro sénior do grupo Garvan's Diabetes and Obesity Clinical Studies, em colaboração com Arthur Jenkins e colegas da University of Wollongong, na Austrália, demonstrou que existem muitos defeitos envolvidos nos genes da obesidade, cuja maioria é muito rara.

 

A diabetes de tipo 2 é uma doença do foro metabólico que ocorre quando o organismo diminui a capacidade para produzir e utilizar eficientemente a insulina, que é uma hormona essencial para a manutenção do metabolismo alimentar normal. A doença está associada a um estilo de vida marcado por uma dieta com elevados níveis de gordura e de açúcar, e falta de exercício físico.

 

Na opinião dos investigadores, a procura do desenvolvimento de um único fármaco para o tratamento da obesidade é errada, já que um único fármaco ou um número de fármacos não conseguem tratar muitos potenciais problemas. A equipa concluiu que existem muitos genes responsáveis pela obesidade, podendo cada família apresentar uma história genética um pouco diferente.

 

“O mesmo deverá suceder com a diabetes de tipo 2. A causa principal deverá ser genética, sendo que as causas genéticas são muito raras, mas existem muitas diferenças entre as pessoas”, afirmou Lesley Campbell. “Os defeitos genéticos raros perfazem cerca de 95% do problema total. Este problema é muito incómodo para a maioria das pessoas porque gostariam de acreditar que existe uma solução fácil”.

 

Lesley Campbell sublinha que os genes moldam certas tendências, havendo algumas interações previsíveis entre os genes e o meio ambiente. Uma pessoa com predisposição para um grande apetite, que tenha à disposição uma abundância de comida, terá uma grande possibilidade de engordar. As pessoas hoje em dia não precisam mais de pescar ou caçar. Para comer só precisam de comprar ou de ir ao frigorífico. Hoje em dia, não precisam de despender energia para acederem a alimentos, muito ricos em gordura e açúcar.

 

“As pessoas com diabetes na família tendem a ter fome com mais frequência, conseguem comer mais a uma refeição e geralmente optam por alimentos mais calóricos. (…) Os seus organismos estão programados para comer mais”, afirma ainda o autor do estudo. “Os mesmos genes iriam servir essas pessoas em tempos de escassez de alimentos ou de fome. Sobreviveriam, enquanto os seus vizinhos mais magros iriam perecer”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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