Os genes dos portugueses

Mouros e negros marcam património genético

02 janeiro 2003
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Uma das mais importantes marcas genéticas no património dos portugueses foi trazida pelos escravos negros vindos de África a partir do século XV. Existe até uma significativa parte das linhagens femininas do País com origem no continente negro. Mas a diversidade portuguesa nem tem como origem apenas a África negra. Também os berberes, do tempo da islamização da Península Ibérica, deram o seu contributo.
 

 

Segundo António Amorim, investigador em genética populacional do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), explicou ao DN que os ingredientes genéticos dos portugueses são diferentes, por exemplo, da população da Europa Central.
 

 

Aponta o especialista que um conjunto importante de genes dos portugueses está configurado há perto de 40 mil anos. «O grosso da nossa estrutura demográfica actual é do paleolítico», assinala António Amorim. Uma herança importante que se explica pelo facto de datar desse período a grande expansão demográfica da Europa. E é por isso que 50 por cento das portuguesas de hoje têm a mesma origem. Cerca de «metade das linhagens femininas de Portugal estão filiadas no mesmo grupo, o H», explica o investigador. Em toda a Europa, estarão contabilizados cerca de sete grupos.
 

 

A contribuição seguinte mais importante veio com os «mouros», invasores que estiveram na Península no primeiro milénio. A história fazia prever uma expansão geográfica para esta realidade genética e, de facto, nas linhagens masculinas _ um trabalho de Luísa Pereira, também do Ipatimup _, verificou que existiam sinais dessa presença no sul, menos no centro do País e ainda menos a norte. No entanto, explica António Amorim, estas condições não se verificaram quando os cientistas (que continuam a investigar os dados) foram estudar as linhagens femininas. Contra todas as expectativas, as «mouras» estão sobretudo a norte do rio Douro.
 

 

A segunda vaga de «invasores» que contribui para dinamizar o património genético português chegou um pouco mais tarde. Os primeiros barcos que atracaram no porto de Lisboa com homens e mulheres de cor escura trouxeram também genes distintos. Estes novos habitantes misturaram-se com os portugueses, mas os cruzamentos foram socialmente determinados. Só assim se explica que existam linhagens femininas em Portugal _ que constituem cerca de sete por cento do total no país _ de origem subsariana, mas nem uma única linhagem masculina. O que significa que os cruzamentos foram quase invariavelmente homem branco/mulher negra.
 

 

Fonte: Diário de Notícias
 

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