Os espantosos ensinamentos das plantas

Estudo publicado na “Science”

04 julho 2012
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O porquê de nos virarmos para as plantas para delas retirarmos preciosos ensinamentos, se os seres humanos querem continuar sobreviver como espécie, foi alvo de discussão num artigo publicado no jornal científico “Science”.

 

Robert Last, professor da Michigan State University, EUA, e Ron Milo, do Weinzmann Institute of Science, Israel, defendem que a melhor forma de abordarmos esta questão não será limitarmo-nos a estudar a forma como as plantas operam, mas sim debruçarmo-nos sobre uma variedade de disciplinas. Os autores defendem ainda que nos devemos concentrar no que permitiu que as plantas chegassem ao que são hoje – a evolução.

 

Robert Last afirma que o metabolismo das plantas fornece fibra, combustível e terapêutica aos seres humanos. “À medida que a população humana aumenta e as fontes de energia não renovável diminuem, necessitamos cada vez mais de nos apoiar nas plantas e de aumentarmos a sustentabilidade da agricultura”, acrescenta. No entanto, segundo o colega Ron Milo, apesar de décadas de engenharia genética em plantas, existem muito poucos produtos resultantes deste tipo de trabalho. Robert Last explica que isto se deve em parte ao facto de não possuirmos conhecimentos suficiente sobre o vasto e complexo conjunto de reações metabólicas empregues pelas plantas: “É como desenharmos e construirmos uma ponte apenas com imagens satélite de pontes já existentes”.

 

Os autores acreditam que o conhecimento dos princípios do metabolismo das plantas passa por considerarmos as centenas de milhões de anos de evolução que conduziram a exemplos bem conservados de vias metabólicas. Um dos aspetos mais surpreendentes do metabolismo das plantas consiste no facto de este ter que manter um equilíbrio entre evoluir de forma a poder dar resposta a um meio-ambiente em constante evolução e manter uma estabilidade interna necessária para continuarem a viver como sempre.

Os autores acrescentam ainda que as plantas utilizam o metabolismo secundário para a  produção de novos elementos químicos que são utilizados para estas se defenderem de agentes patogénicos e de herbívoros.

O  investigador conclui que “os seres humanos podem beneficiar de alguns destes compostos pois estes apresentam propriedades terapêuticas importantes”, acrescentando que “a utilização de novas abordagens, considerando os princípios da otimalidade, irá conduzir a avanços no campo da medicina química, bem como à criação de mais e melhores alimentos”.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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