Os efeitos do citomegalovírus nas células estaminais neuronais

Estudo publicado na revista “PLOS Pathogens”

20 abril 2016
  |  Partilhar:

Investigadores franceses analisaram o efeito da infeção por citomegalovírus em células estaminais neuronais e constataram que o vírus atrasa ou impede a correta diferenciação das células estaminais em células cerebrais maduras ao ativar uma via de sinalização chave, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS Pathogens”.
 

A transmissão congénita (da mãe para o filho) de vírus pode causar desenvolvimento anormal do cérebro no feto. Alguns exemplos de vírus que podem atravessar a placenta e atingir o cérebro fetal incluem o citomegalovírus, a rubéola e o vírus Zika.
 

Aproximadamente um por cento dos recém-nascidos nos EUA estão congenitamente infetados com citomegalovírus. Apesar de a maioria não apresentar sintomas, 20% desenvolve problemas neurológicos detetados ao nascimento ou pouco depois. Nos casos mais graves há problemas de desenvolvimento do cérebro, como é o caso da microcefalia.
 

No estudo, os investigadores da Universidade de Toulouse e do INSERM UMR1043, em França, desenvolveram um novo modelo de infeção baseado nas células estaminais neuronais humanas que normalmente produzem neurónios a uma frequência elevada. Verificou-se que a infeção por citomegalovírus reduziu substancialmente a taxa de neurónios produzidos pelas células estaminais neuronais.
 

De forma a tentar desvendar quais os mecanismos envolvidos, os investigadores estudaram os resultados da infeção num fator de transcrição crítico no desenvolvimento do cérebro, o PPARg. Verificou-se que a infeção por citomegalovírus aumentava os níveis e a atividade do PPARg. Adicionalmente, os níveis de um conhecido ativador do PPARg, o 9-HODE, também estava aumentado nas células estaminais neuronais infetadas com o citomegalovírus.
 

A exposição das células estaminais neuronais humanas não infetadas ao 9-HODE era semelhante ao efeito da infeção na atividade do PPARg. Neste sentido, a ativação farmacológica do PPARg nas células estaminais neuronais não infetadas ou o tratamento destas células com 9-HODE foi suficiente para afetar a produção de neurónios. Adicionalmente, o tratamento das células estaminais neuronais infetadas com um fármaco que inibe o PPARg restaurou a taxa normal de produção de neurónios.
 

Com o objetivo de avaliar a relevância patofisiológica das experiências nas células estaminais neuronais foi investigada a expressão do PPARg em 20 amostras de cérebro de fetos que tinham sofrido um aborto devido a uma infeção congénita com citomegalovírus e quatro amostras de fetos controlo.
 

O estudo apurou que o PPARg estava presente no núcleo das células em regiões do cérebro que habitualmente são caracterizadas pela ativação da produção de neurónios em amostras de cérebro infetados, mas não em amostras de fetos não infetados.
 

Na opinião dos investigadores, as células estaminais neuronais parecem ser uma ferramenta valiosa para modelar as correlações funcionais da infeção por citomegalovírus e esta plataforma celular pode ser provavelmente estendida a outras patrologias virais do sistema nervoso central, como é o caso da infeção pelo vírus Zika.
 

Os autores do estudo concluem que o PPARg desempenha um papel importante na neurologia e na patologia da infeção congénita por citomegalovírus.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.