Os bebés não perdem tempo – até durante o sono aprendem o que precisam

Os sons necessários para a linguagem são assimilados durante as sonecas

08 fevereiro 2002
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Os estudantes têm razões para terem inveja dos bebés. Os bebés não só podem dormitar a qualquer hora do dia como ainda podem dedicar esse tempinho das sonecas à arte de aprender durante o sono.
 

 

Por volta do ano de idade os bebés reconhecem uma grande quantidade de sons e de palavras e esta «bagagem» de sons e palavras é muito importante no processo de aprendizagem linguística. Mas como é que eles conseguem aprender sons e palavras a uma velocidade, por vezes, verdadeiramente alucimante?
 

 

Marie Cheour, professora e investigadora na Universidade de Turku, na Finlândia, foi procurar a resposta para esta pergunta, partindo da hipótese de que a rapidez com que os bebés aprendem a linguagem se deve ao facto de eles aprenderem os sons das palavras não só enquanto estão acordados mas também quando dormem.
 

 

Para testar esta teoria, Cheour reuniu um grupo de trabalho que se dedicou a estudar a evolução das capacidades linguísticas em 45 bebés, desde o seu nascimento. Nos primeiros dias de vida, os bebés ouviram, durante uma hora, os sons de vogais – sons do tipo «o-o», «e-e» e um som intermédio, semelhente a «o-e». Os investigadores registaram a actividade cerebral antes e depois de cada sessão de sons e os electroencefalogramas mostraram que os recém-nascidos não distinguem os sons.
 

 

Na segunda fase do estudo, os bebés foram para casa e do grupo inicial de 45, apenas 15 continuaram a participar na investigação. Estes quinze bebés foram divididos em dois grupos que foram expostos a sons diferentes durante as suas horas de sono nocturno – um grupo continuou a ouvir a gravação com os três sons inicias enquanto o segundo grupo ouvia, durante o mesmo período, sons mais distintos uns dos outros (sequências «a-a», «o-o», etc., sem mistura de duas vogais diferentes no mesmo som). Os investigadores fizeram registos (electroencefalogramas) diários, ao acordar e ao deitar, da actividade cerebral dos bebés.
 

 

A actividade cerebral dos bebés registada diariamente mostrou que os bebés que ouviram o som correspondente à «mistura de vogais» conseguiam identificar o som da mistura entre outros, mesmo quando pronunciado de modo diferente. Os outros bebés que nunca ouviram a gravação com as misturas de vogais, não identificaram os sons das misturas.
 

 

Embora a coordenadora desta investigação não encontre explicações para o facto dos bebés terem conseguido aprender estes sons durante o sono, o facto é que isso aconteceu. No entanto, ela suspeita que esta capacidade especial pode indicar que, contrariamente aos adultos, os bebés «não desligam« o córtex cerebral durante o sono.
 

 

Aparentemente, esta destreza que todos tivemos um dia vai-se esbatendo a partir do segundo ano de dia. Embora isto possa desanimar aqueles que gostariam de aprender línguas durante o sono, Cheour pensa que esta descoberta pode ser muito útil para ajudar os bebés que, geneticamente, correm mais riscos de apresentarem problemas de aprendizagem da linguística.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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