Origem do cancro do pâncreas: descoberta mais próxima

Estudo publicado na revista “CANCER”

27 outubro 2014
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Um estudo recente proporcionou novas pistas sobre os fatores que levam ao desenvolvimento do cancro do pâncreas.
 

O cancro do pâncreas é de difícil deteção e, por isso, a taxa de sobrevida cinco anos após o diagnóstico é de apenas 5%. . Estima-se que em Portugal surjam 1.225 novos casos por ano, dos quais 693 já com o tumor metastizado na altura do diagnóstico. Dado o diagnóstico tardio, apenas 10 a 20% dos pacientes são submetidos a cirurgia de ressecção. Tem, por isso, havido um foco da investigação na descoberta de formas de diagnosticar este cancro mais precocemente, de modo a aumentar a sobrevida dos pacientes e as possibilidades de cura.
 

Conduzido pela Universidade de Glasgow, na Escócia, os resultados deste estudo sugerem que existe um período de 10 a 20 anos desde a mutação de origem que desencadeou o cancro até este assumir uma forma avançada. Este período oferece, segundo os autores do estudo, uma oportunidade de intervenção para que a doença seja detetada.
 

Para o estudo, a equipa analisou 766 pacientes que tinham sido diagnosticados com cancro do pâncreas. Os autores consideraram os pacientes que tinham tido familiares de primeiro grau com cancro do pâncreas como hereditariamente predispostos para a doença. Os outros pacientes foram considerados como sendo casos esporádicos da doença.
 

Entre os pacientes analisados, cerca 9% tinha um familiar de primeiro grau com aquele tipo de cancro. Este grupo de pacientes apresentava mais tecido pré-cancerígeno na área adjacente ao tumor do que aqueles em que a doença era esporádica. Tanto nos casos de cancro hereditário, como nos casos de cancro esporádico, foi estabelecida uma associação entre fumar e o diagnóstico da doença numa idade significativamente mais jovem.
 

Os investigadores descobriram também que os membros das famílias afetadas por cancro do pâncreas apresentavam um risco acrescido relativamente a outros tipos de cancro como melanoma e o cancro do endométrio.
 

Os resultados do estudo sugerem que “os genes que herdamos dos nossos pais poderão desempenhar um papel significativo no risco que corremos, ao longo da vida, de desenvolver cancro do pâncreas” comenta Andrew Biankin, da Universidade de Glasgow e autor principal do estudo.
 

“Quando se avalia o risco individual de alguém desenvolver cancro do pâncreas poderá ser importante avaliar não só o histórico familiar de cancro do pâncreas, mas também o de outras doenças malignas. Finalmente, os nossos dados realçam a importância da abstinência do tabagismo”, continua.
 

Segundo os autores deste estudo, o mesmo oferece limitações já que não conseguiram apurar os índices de doenças malignas que não do pâncreas nos familiares dos pacientes. Adicionalmente, a informação sobre os familiares de primeiro grau foi obtida dos próprios pacientes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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