Origem da alergia aos ácaros descoberta

Estudo publicado na revista “Journal of Allergy and Clinical Immunology”

27 outubro 2016
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Investigadores alemães descobriram que as moléculas dos ácaros são os alvos iniciais do sistema imunitário das crianças que, mesmo anos mais tarde, desenvolvem rinite alérgica e asma, dá conta um estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology”.
 
O estudo levada a cabo pelos investigadores da Universidade de Berlim, na Alemanha, poderá não só contribuir para o desenvolvimento de terapias novas e precisas, mas também prever com sucesso e prevenir a rinite crónica e a asma causada ou agravada pela alergia aos ácaros.
 
Para o estudo, os investigadores analisaram os dados e amostras de sangue recolhidos ao longo de vinte anos de uma coorte de 772 crianças nascidas na Alemanha em 1990. Foram utilizadas moléculas purificadas ou alteradas do ácaro Dermatophagoides pteronyssinus e procedimentos de nanotecnologia para caracterizar as origens e evolução da resposta dos anticorpos ao longo das primeiras décadas dos participantes.
 
O estudo apurou que os anticorpos IgE contra três moléculas dos ácaros (Der p 1, Der p 2 e Der p 23) aparecem muito cedo no sangue das crianças, frequentemente antes do início da doença. Em algumas crianças, este primeiro passo era seguido de uma cascata de eventos que envolvia outras moléculas dos ácaros, através de um fenómeno definido como “disseminação molecular”.
 
Os cientistas constataram que as crianças que produziam anticorpos IgE contra muitas moléculas dos ácaros, sensibilização polimolecular, apresentavam um risco muito elevado de desenvolver rinite e asma. Verificou-se que o início da sensibilização alérgica, a elevada exposição a alérgenos de ácaros do pó da casa e ter um ou ambos os pais afetados pela febre do feno aumentava o risco de sensibilização polimolecular.
 
O estudo também demonstrou que as crianças saudáveis que em idade pré-escolar apresentavam anticorpos IgE contra as moléculas Der p 1 ou Der p 23 desenvolviam com mais frequência asma na idade escolar. 
 
Desta forma estas e outras moléculas podem ser utilizadas para a prevenção da doença no início da vida e para definir com precisão a imunoterapia nos pacientes pediátricos e nos adultos.
 
Daniela Posa, uma das autoras do estudo, referiu que a alergia ao pó desenvolve-se na infância como uma avalanche. Começa cedo, apenas contra uma ou algumas moléculas, e depois aumenta para várias. Quanto maior for a propagação da sensibilização molecular, mais elevado é o risco de desenvolver asma.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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