Organoides poderão revolucionar pesquisa de cancro do pâncreas

Estudo publicado na revista “Cell”

06 janeiro 2015
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A possibilidade de produzir organoides, com células do pâncreas normais e cancerígenas, poderá revolucionar a pesquisa na área do cancro do pâncreas, indica um estudo norte-americano.
 
O cancro do pâncreas raramente é detetado nos seus estádios iniciais, sendo que a maioria dos casos só é diagnosticada após a doença se ter começado a espalhar. Os índices de sobrevivência são muito limitados, com apenas 6% de sobrevida nos pacientes 5 anos após o diagnóstico da mesma.
 
O estudo conduzido pelo Laboratório Cold Spring Harbor e a Fundação Lustgarten, EUA, consistiu no desenvolvimento de um sistema de cultura de organoides tridimensionais para o cancro do pâncreas. A equipa conseguiu um método de desenvolvimento de tecido do pâncreas, tanto a partir de modelos de ratinhos de laboratório, como a partir de tecido de pacientes humanos. Esta descoberta poderá conduzir, no futuro, à possibilidade de tratamentos personalizados da doença. 
 
A investigação na área do cancro depende da disponibilidade contínua de células normais e cancerígenas que possam ser crescidas em laboratório. No entanto a cultura de células pancreáticas em laboratório é extremamente difícil.
 
Adicionalmente, as células do pâncreas que estão na origem do cancro representam apenas cerca de 10 por cento do total de células deste órgão. Devido a essa limitação, a maioria da pesquisa neste tipo de cancro baseava-se em modelos de ratinhos geneticamente modificados, método que poderia levar até um ano até serem gerados o número e tipo de ratinhos para determinada investigação.
 
Com este estudo, os organoides desenvolvidos são integralmente compostos de células ductais, sendo eliminada a contaminação provocada pelas células envolventes. Estes organoides desenvolvem-se em forma de esferas côncavas numa espécie de gel que contém fatores que induzem o crescimento e fibras de ligação. Assim que atingem o tamanho necessário, podem ser transplantados para os ratinhos onde desenvolver-se totalmente em cancro do pâncreas.
 
“Agora possuímos um modelo para cada estádio da progressão da doença”, explicou Chang-Il Hwang, um dos autores principais do estudo, do Laboratório de Pesquisa do Cancro do Pâncreas da The Lustgarten Foundation. 
 
É costume isolar-se as células cancerígenas durante cirurgias ou autópsias. No entanto, cerca de 85 por cento dos pacientes de cancro do pâncreas não reúnem, na altura do diagnóstico, as condições necessárias para serem submetidos a cirurgia pois ou a doença está demasiado espalhada ou o tumor encontra-se ligado a artérias vitais. Este novo método oferece a possibilidade de se criar organoides a partir de material das biópsias, o qual é de obtenção mais fácil.
 
Os investigadores encontram-se agora a trabalhar na criação de um repositório de amostras de tumores do pâncreas e uma das investigadoras começou a ensinar a técnica de desenvolvimento de organoides a outros laboratórios.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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