Ordem dos Médicos quer triagem efetuada por médicos

Médicos alegam cada vez mais mortes por casos mal classificados

29 agosto 2013
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A Ordem dos Médicos considera que a triagem nas urgências dos hospitais deve ser realizada por médicos experientes e não por enfermeiros, como acontece há mais de dez anos em Portugal.

 

José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, defende que "um médico acerta mais do que um enfermeiro. Os médicos é que têm formação para fazer diagnósticos". A Ordem dos Médicos argumenta que são "cada vez mais recorrentes os relatos de mortes de doentes triados com a pulseira verde [caso considerado não-urgente] nos hospitais".

 

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, contrapõe esta posição, alegando que estas afirmações "geram dúvidas e desconfiança na população e podem colocar em causa um sistema com provas dadas cientificamente e com elevado grau de satisfação por parte dos utentes". Abre-se assim mais uma clássica guerra entre médicos e enfermeiros.

 

Em 2000, Portugal adotou o Protocolo da Triagem de Manchester, um sistema de triagem que se baseia em critérios clínicos internacionais que classifica o grau de gravidade de quem recorre aos serviços de urgência através da atribuição de pulseiras, havendo um código de cores, variável entre o vermelho (urgente, observação imediata) e o azul (não-urgente, observação até quatro horas). Este processo de triagem foi criado no Reino Unido.

 

O bastonário da Ordem dos Médicos alega que a Triagem de Manchester é ideal quando existe uma falta de médicos, como é o caso do Reino Unido. Isso não se passa em Portugal. Sendo assim, apesar de admitir preferir ser atendido por "um enfermeiro experiente do que por um médico acabado de formar" numa urgência, José Manuel Silva sustenta que a triagem deve ser da responsabilidade do médico.

 

Além de considerar que o sistema de Manchester padece de “graves limitações”, o bastonário acrescenta ainda que "Só os médicos têm a formação necessária para se aperceberem dos sinais insidiosos que podem apontar para situações potencialmente mais graves”. Como exemplo menciona o caso de uma mulher saudável de 38 anos, que não tomava qualquer medicação regular e que compareceu nas urgências com "agitação psicomotora e queixas inespecíficas de ansiedade". Foi considerada como manifestando “comportamento estranho”, atribuída pulseira verde e remetida para a Psiquiatria. "Dez minutos depois" sofreu uma paragem respiratória.

 

Germano Couto reage alegando que este sistema "não é um momento de diagnóstico clínico, é uma forma de racionalização de tempos de espera com base em indicadores clínicos", reiterando que os enfermeiros estão "devidamente preparados para esta função". O bastonário da Ordem dos Enfermeiros acrescenta ainda que "uma paragem cardiorrespiratória pode ocorrer a qualquer um, em qualquer momento e em qualquer local, mas o seu resultado será provavelmente menos grave se existir uma avaliação prévia que permita identificar as pessoas que estão em maior risco".

 

Um estudo efetuado em 2006 no Hospital de Santo António no Porto, em que alunos de Medicina do quinto ano avaliaram uma amostra de 1.746 urgências, comparando a sua opinião com a triagem feita por enfermeiros, demonstrou que os médicos e os enfermeiros estão quase sempre de acordo na hora de classificar a gravidade dos casos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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