Ordem dos Médicos apela à regulação das terapias alternativas

Declarações do Bastonário

02 setembro 2016
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As terapêuticas não convencionais devem ser reguladas para bem da saúde pública e dos cidadãos e para que não se tornem numa selva descontrolada, defende o bastonário da Ordem dos Médicos.
 

José Manuel Silva referiu à agência Lusa que as terapêuticas alternativas devem ter regras, controlos, registos clínicos e uma separação entre aconselhamento dos doentes e venda de produtos para, assim, evitar conflito de interesses.
 

Nos dias 03 e 04 de setembro, a Ordem dos Médicos recebe, no Porto, o primeiro encontro científico em Portugal que junta especialistas da Medicina Convencional e da Medicina Tradicional Chinesa, promovido pelo Sino-Luso Fórum Médio Internacional.
 

O fórum vai juntar cerca de 150 especialistas para falar sobre tratamento de doenças cardiovasculares, atual sistema de saúde na China, morte prematura ou patologias gástricas. “Pretendemos que as terapêuticas não convencionais tenham o mesmo nível de transparência que a medicina tradicional”, disse José Manuel Silva.
 

O bastonário realçou que os médicos estão sujeitos a uma série de regras e os terapeutas não convencionais “fazem o que lhes apetece”, dando como exemplo a venda de produtos.
 

“Os médicos não podem vender medicamentos por razões óbvias, mas os terapeutas vendem os seus próprios produtos sem qualquer controlo de qualidade, sendo fundamental procurar a sua regulamentação, produção, comercialização, evidência, segurança e qualidade”.
 

Para José Manuel Silva, não se pode tratar pessoas com base em filosofias, mas sim em bases científicas. “Se as terapêuticas não são medicina, não se baseiam em princípios de evidência científica, então os resultados também não são naturalmente garantidos”, considerou.
 

O bastonário ressalvou que se houver terapêuticas que comprovem a sua eficiência qualquer médico as utiliza, independentemente de serem chinesas, alemãs, americanas, japonesas ou russas. “A medicina não rejeita nenhuma prática que tenha o máximo de fundamentação científica e demonstre a sua eficácia para os doentes”.
 

O membro do Conselho Científico do fórum, Miguel Mascarenhas Saraiva, referiu que, no entanto, não se deve confundir terapêuticas alternativas com “charlatanismo”, mas também concorda no estabelecimento de regras.
 

“Apesar de a medicina tradicional chinesa não ter tratamento científico como tem a ocidental, sabemos que tem muitos aspetos positivos que são cada vez mais utilizados pela medicina convencional, como a acupuntura”, concluiu.
 

LERT Life Sciences Computing, S.A.

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