Optimismo e amizade contra o stress e a depressão!

Pegue no seu optimismo, junte-lhe boas amizades e seja feliz

01 fevereiro 2002
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De acordo com um grupo de psicólogos da Universidade Rutgers, New Jersey (EUA), as pessoas optimistas tendem a desenvolver uma maior capacidade para ultrapassar a depressão e o stress. Além disso, também conseguem criar uma rede social de apoio que os ajuda a superar melhor quer as situações de stress e como as de depressão.
 

 

Ian Brissette, professor naquela universidade, coordenou a investigação em que ele e os seus colaboradores estudaram as redes de amizade criadas por 89 estudantes universitários durante um semestre lectivo. No final do semestre eles avaliaram a forma como cada um dos voluntários foi ajudado pela sua rede de contactos sociais e se o facto de serem pessoas optimistas ou não influenciou na criação dessas redes de apoio.
 

 

De acordo com as suas declarações à agência Reuters, Brissette considera que a personalidade de cada indivíduo tem influencia as respostas geradas pelas outras pessoas para ajudar no seu bem-estar mental. Brissette e seus colaboradores decidiram realizar este estudo na sequência de outros estudos anteriores que já tinham demonstrado que as pessoas que têm uma percepção positiva do futuro são mais propensas a apresentarem uma melhor saúde mental do que as pessimistas.
 

 

De acordo com os psicólogos que realizaram este estudo, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, talvez isso se deva ao facto dos indivíduos optimistas conseguirem desenvolver relações fortes com as outras pessoas – a criação de fortes laços de amizade é, comprovadamente, um importante factor que aumenta a capacidade do indivíduo lidar com situações de stress.
 

 

Segundo Brissette, os optimistas são, aparentemente, mais hábeis a desenvolver relações interpessoais e, por isso, a convivência com estes indivíduos é mais agradável. Desta forma, estas pessoas conseguem criar as redes sociais de apoio com maior facilidade.
 

 

Assim, os investigadores não ficaram nada surpreeendidos quando constataram que os alunos que tinham uma visão mais favorável da vida desenvolverem de imediato um grupo de amigos mais alargado do que os pessimistas.
 

 

Os optimistas conseguiram adaptar-se muito melhor à rotina universitária porque conseguiram ultrapassar melhor as situações de stress de adaptação e, por isso, também não foram afectados por depressões, como aconteceu com maior frequência com os alunos mais pessimistas.
 

 

Para Brissette e seus colaboradores, existem duas possíveis razões para explicar os níveis mais reduzidos de stress dos optimimistas: fortes laços de amizade e maior capacidade para enfrentar os problemas.
 

 

E as redes de amizade alargaram com o tempo? Não. OS optimistas não aumentaram o número de relações de amizade mas reforçaram os laços de amizade que já tinham criado. É através do reforço dos laços de amizade que os mantêm e reforçam as suas redes sociais de apoio. Os autores do estudo afirmam mesmo que é possível afirmar que, ao contrário dos pessimistas, os optimistas conseguem ter amizades de «melhor qualidade» no sentido em que não havendo um aumento do número de amigos, as amizades são constantemente alimentadas e os laços de amizade são reforçados com o tempo.
 

 

Outro aspecto associado a uma personalidade optimista, relatado neste trabalho, é a capacidade que estas pessoas têm fazerem uma reinterpretação positiva dos acontecimentos. Isto é, aquelas pessoas que têm uma visão mais favorável da vida conseguem enfrentar os problemas de uma forma mais eficaz porque não negam nem se distanciam dos acontecimentos negativos.
 

 

E o que se pode entender por uma reinterpretação positiva? É olhar para uma situação desfavorável e tentar encontrar e ver o lado positivo da mesma ou analisar os retrocessos como um desafio. No fundo, uma reinterpretação positiva é tentar encontrar sempre o lado bom que a vida tem.
 

 

À primeira vista pode parecer que este estudo é algo desmotivante e desanimador para quem, já de si, não vê as coisas da «melhor forma» e que também têm uma visão negativa dos acontecimentos do dia a dia. No entanto, os autores do estudo consideram que as conclusões deste estudo pode servir para que as pessoas mais pessimistas possam aprender e a aplicar as mesmas técnicas dos optimistas.
 

 

Os autores não esperam transformar os pessimistas em optimistas mas sim ensinar-lhes estratégias mais eficazes para enfrentarem as situações adversas do quotidiano, nomeadamente no desenvolvimento de redes de relações interpessoais de apoio fortes e duradouras.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

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