Onde se produzem os sonhos?

Da parte de trás do cérebro, dizem os cientistas

22 setembro 2004
  |  Partilhar:

 «De onde vêm os sonhos?» Esta pode ser uma pergunta infantil, mas a resposta é bastante mais elaborada...Uma equipa do Hospital Universitário de Zurique, na Suíça, descobriu de onde vêem os sonhos, após terem tratado uma mulher que tinha deixado de sonhar depois de ter tido um acidente vascular cerebral (AVC). A trombose tinha afectado uma área no fundo da parte de trás do cérebro, local que os cientistas acreditam ser a área onde os sonhos são criados.Num artigo escrito na revista académica Annals of Neurology, os cientistas dizem que a descoberta oferece novas possibilidades para as futuras investigações sobre os sonhos.A paciente de 73 anos perdeu uma série de funções do cérebro, a maior parte relacionada com a visão, depois do AVC. A maior parte desses efeitos foi sentida alguns dias depois da trombose, altura em que ela parou de sonhar. Antes da trombose, a doente costuma sonhar três ou quatro vezes por semana.A perda da habilidade para sonhar - juntamente com os problemas na visão - como consequência de danos de uma parte específica do cérebro chamada de síndrome de Charcot-Wilbrand _ nomes dos neurologistas Jean-Martin Charcot e Hermannn Wilbrand, os primeiros a descreverem a condição nos 1880s. A síndrome é muito rara, especialmente casos onde apenas se verifica a perda da capacidade de sonhar.Os investigadores suíços decidiram acompanhar a paciente para tentar descobrir que parte do cérebro era afectada em pessoas com a condição.Durante seis semanas, os médicos monitorizaram as ondas do cérebro da mulher enquanto esta dormia. O sono da paciente não foi alterado e continuava a apresentar o movimento rápido dos olhos, tal como é normal.Isso é significativo, uma vez que normalmente o movimento dos olhos e os sonhos acontecem juntos, mas estudos recentes já indicaram que as duas actividades são reguladas por sistemas independentes do cérebro. Imagens do cérebro da paciente mostraram que a trombose tinha danificado uma área localizada no fundo da parte de trás do cérebro.  Outros estudos mostraram que parte dessa região do cérebro está envolvida no processamento visual de rostos e paisagens, assim como no processamento de emoções e memórias visuais, o que parece lógico para uma região que estaria relacionada à origem ou ao controlo dos sonhos.Cerca de um ano depois do AVC, a paciente passou a ter um ou outro sonho, mas nunca mais do que um por semana. E, ao mesmo tempo, informou que os sonhos que tinha eram menos vívidos e menos intensos do que os que tinha antes da trombose. «Como são criados os sonhos e qual a utilidade deles, são questões ainda completamente em aberto até o momento», escreveu o médico Cláudio Bassetti, do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Zurique, na revista Annals of Neurology.Esses resultados, segundo os cientistas, descrevem pela primeira vez em pormenor o tamanho necessário da lesão para que haja perda da capacidade de sonhar, na ausência de outros problemas neurológicos. E, desta forma, adiantam os investigadores, as conclusões do trabalho oferecem um foco de atenção para outras investigações interessadas na localização do acto de sonhar.«Outras conclusões sobre essa região do cérebro e o seu papel nos sonhos vão depender de mais investigações analisando as mudanças no padrão de sonhos de pacientes com danos no cérebro», completou o médico.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.