OGM: Consumidores desconfiam de uma realidade provavelmente inofensiva
30 novembro 2001
  |  Partilhar:

As pressões de organizações ambientalistas pesaram mais do que a racionalidade científica nas decisões dos governos da União Europeia sobre Organismos Geneticamente Modificados. Esta afirmação foi feita à agência Lusa por Manuel Augusto Soares, investigador da http://www.inia.min-agricultura.pt/ean.html.
 

 

Entretanto, a área cultivada com plantas transgénicas continua a crescer em todo o mundo e em 2000 era já quatro vezes maior que a de Portugal, apesar dos receios dos governos europeus e da desconfiança dos consumidores.
 

 

Segundo Manuel Augusto Soares, não há razões para ter medo dos organismos geneticamente modificados até porque, sublinhou, «todos os alimentos que hoje consumimos não são as plantas originais e foram objecto de melhoramentos».
 

 

«A transgénese é apenas mais uma etapa no processo de melhoramento de plantas que se faz desde que o homem é agricultor, há cerca de 7.000 anos», afirmou Manuel Augusto Soares, vice- presidente da Associação Portuguesa de Horticultura.
 

 

No ano 2000, a área agrícola cultivada com plantas transgénicas atingiu, em todo o mundo, os 44,2 milhões de hectares.
 

 

Cerca de um terço de toda a soja, 16 por cento do algodão e sete por cento do milho produzidos no mundo durante o ano agrícola de 2000 são transgénicos, para além do tomate, tabaco e girassol, culturas a crescer rapidamente, indicam as conclusões de um colóquio internacional realizado pela Associação Portuguesa de Horticultura, em Outubro, sobre plantas transgénicas.
 

 

Quais os benefícios dos Organismos Geneticamente Modificados
 

 

Segundo Manuel Soares, os transgénicos possibilitam um enriquecimento da qualidade nutritiva do alimento, com a introdução de vitaminas, sais minerais e óleos essenciais.
 

 

O exemplo mais paradigmático dessa possibilidade é, segundo este investigador, o da introdução de pró-vitamina-A (um poderoso anti-oxidante) no arroz, base da alimentação dos povos orientais.
 

 

Na Associação Portuguesa de Horticultura já foram produzidas em laboratório videiras transgénicas, mas ainda longe de uma versão comercial.
 

 

«Será uma verdadeira revolução o dia em que se obtiver uma videira resistente ao oídio, uma doença devastadora para a vinha que causa enormes prejuízos aos agricultores. Em Portugal existe a tecnologia para produzir transgénicos», disse, sublinhando que é a simplicidade da técnica que a torna facilmente acessível aos países do terceiro mundo.
 

 

Os receios que rodeiam os transgénicos devem-se, segundo Augusto Soares, à «baixa cultura científica das populações» e ao «receio do novo, do desconhecido», mais forte em civilizações antigas como a europeia do que em países novos como os Estados Unidos.
 

 

«Quando se pretendem introduzir características novas numa planta, a transgénese é a forma mais eficaz e rápida de atingir este objectivo», sublinhou.
 

 

Segundo o cientista, para obter uma nova variedade pelos métodos tradicionais são precisos seis ou sete anos, um período de tempo que pode ser reduzido para metade se se optar pela transgénese, além de os resultados serem mais precisos.
 

 

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Horticultura realçou ainda as vantagens ambientais da generalização deste tipo de organismos.
 

 

«Nos Estados Unidos são actualmente utilizados menos 43 milhões de toneladas de pesticidas graças aos transgénicos», explicou.
 

 

Os EUA são claramente o país que lidera o processo mas existem mais doze onde já se cultivam transgénicos: Canadá, Argentina, China, Bulgária, Austrália, África do Sul, Roménia, França, Espanha, Uruguai, México e Ucrânia.
 

 

Esclarecendo o conceito de OGM
 

 

O investigador precisou ainda que o conceito de Organismos Geneticamente Modificados é mais lato que o de transgénicos, já que se refere a estes mas também a todas as outras plantas modificadas geneticamente pelo homem ou a natureza.
 

 

«Os transgénicos são um tipo particular de Organismos Geneticamente Modificados, em que o método de melhoramento é a transgénese», precisou.
 

 

O processo de transgénese consiste na inserção do gene modificado numa célula da espécie que se quer melhorar geneticamente. Depois, multiplicam-se as células geneticamente manipuladas e faz-se crescer o organismo em laboratório. A fase final consiste no cruzamento do novo organismo com outros da mesma espécie.
 

 

«Os transgénicos são as plantas mais testadas no mundo, em relação aos perigos para a saúde humana e à sua alergenicidade», sublinhou o investigador que não compreende porque é que se é mais exigente com este tipo de alimentos do que, por exemplo, com os híbridos.
 

 

Por essa razão, é contra a rotulagem dos transgénicos que, diz, «é uma forma de discriminação que vai assustar os consumidores», apesar dos testes rigorosos que foram feitos.
 

 

«A União Europeia vai ter de alterar rapidamente a sua posição sobre os transgénicos, já que todos os relatórios científicos afastam a hipótese de perigo quer para a saúde humana, quer para o ambiente», explicou.
 

 

Actualmente, vigora no espaço comunitário uma «moratória de facto» à autorização de novos transgénicos, uma posição que ainda não foi alterada sobretudo pelas pressões de seis países (França, Itália, Grécia, Áustria, Luxemburgo e Dinamarca).
 

 

No entanto, um relatório divulgado em Outubro, resultante de 81 projectos de investigação financiados pela União Europeia, concluiu que «as culturas com Organismos Geneticamente Modificados não apresentam riscos significativos para a saúde e podem ser mais seguras que a agricultura convencional».
 

 

Além deste relatório, o vice-presidente da Associação Portuguesa de Horticultura referiu documentos recentes do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Nova Zelândia que concluíram pela inocuidade dos transgénicos.
 

 

Segundo Manuel Augusto Soares, «os governos da União Europeia decidiram por medo das organizações ambientalistas e não por critérios de racionalidade científica».
 

 

MNI – Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.