Odor dos pés ajuda mosquito da malária a escolher onde picar

Estudo da Universidade de Wageningen

09 Junho 2011
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O mosquito que transmite a malária utiliza o dióxido de carbono (CO2) do ar expirado para localizar os seres humanos à distância e, quando se aproxima, altera o seu rumo e dirige-se aos pés das suas vítimas, aponta um estudo divulgado em comunicado pela Universidade de Wageningen, Holanda.

 

O estudo descobriu como o mosquito usa o cheiro dos pés humanos para se orientar nos últimos metros, até ao melhor local para picar. Os resultados da tese de doutoramento de Remco Suer, da Universidade de Wageningen, mostram as opções para interromper o método pelo qual esses mosquitos procuram as suas vítimas.

 

O mosquito da malária africano (Anopheles gambiae) utiliza os seus órgãos olfactivos - que são duas antenas, duas partes da boca (palpos maxilares) e a probóscide - para encontrar a vítima da qual se vai alimentar. De uma distância de várias dezenas de metros, estes insectos detectam o CO2 que compõe parte do ar expirado pelos humanos.

 

No entanto, o mosquito da malária não acompanha o rasto de CO2 até à sua fonte, que seria a boca, mas, até certo ponto próximo da fonte, muda o seu curso dirigindo-se para os pés, que é o seu lugar favorito para picar.

 

Uma investigação anterior à de Remco Suer, financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, mostrou que as bactérias que vivem no pé humano produzem diversos odores. Também identificou dez odores das bactérias nos pés que, quando combinados, tornam-se atraentes para este mosquito.

 

Entre dezenas de neurónios olfactivos, apenas um é capaz de detectar o CO2. Este neurónio olfactivo é co-compartimentado com outros dois neurónios olfactivos que estão abaixo das estruturas semelhantes a pêlos na boca do mosquito.

 

Restringindo as respostas desses neurónios olfactivos, Suer foi capaz de determinar quais os odores humanos que são detectados pelo mosquito fêmea da malária. Dos 10 odores microbianos previamente descobertos, nove provocaram respostas nos três receptores olfactivos nas partes da boca desses insectos e cinco deles inibiram a resposta ao CO2.

 

Inibindo a percepção de CO2 é possível interromper o método de busca das vítimas do mosquito da malária, dado que os odores das bactérias dos pés bloqueiam a resposta ao CO2 e, simultaneamente, activam outros neurónios olfactivos. De acordo com o estudo, é possível que estes odores causem o salto desde o sinal a longa distância do CO2 ao local preferido do mosquito para picar, que são os pés.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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