Ocorrência de insuficiência cardíaca após enfarte agudo do miocárdio

Estudo da Universidade de Utrecht

27 maio 2016
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Um em cada quatro pacientes desenvolve insuficiência cardíaca nos quatro anos seguintes ao primeiro enfarte agudo do miocárdio, atesta um estudo apresentado no congresso “Heart Failure 2016”.
 

“A insuficiência cardíaca é um problema clínico grave com uma grande probabilidade de hospitalização e morte. Os pacientes com doença cardíaca isquémica são aqueles que apresentam o risco mais elevado. Isto inclui aqueles que sofreram um enfarte do miocárdio”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Johannes Gho.
 

Para o estudo os investigadores da Universidade de Utrecht, na Holanda, utilizaram dados de registos médicos eletrónicos para analisar a incidência e os fatores de risco para a insuficiência cardíaca após o primeiro enfarte agudo do miocárdio. “Descobrir quais os pacientes, que sofreram um enfarte agudo do miocárdio, com maior risco de insuficiência cardíaca pode ajudar na aplicação de terapias preventivas”, referiu o investigador.
 

Os cientistas identificaram 24.745 pacientes com 18 ou mais anos de idade que tinham sofrido um enfarte agudo entre janeiro de 1998 e março de 2010 e não tinham antecedentes de insuficiência cardíaca.
 

Ao longo do período de acompanhamento, que teve uma duração média de 3,7 anos, 24,3% dos pacientes desenvolveu insuficiência cardíaca. “Cerda de um em quatro pacientes desenvolveu insuficiência cardíaca nos quatro anos após o primeiro enfarte agudo do miocárdio” referiu o investigador.
 

Estes resultados permaneceram relativamente estáveis ao longo do tempo, possivelmente devido a duas tendências concorrentes. Por um lado, a intervenção coronária percutânea melhorou o tratamento do enfarte agudo do miocárdio, pelo que seria de esperar que o risco de insuficiência diminuísse. Por outro lado, devido ao facto de o tratamento ter melhorado, estão vivos mais pacientes após um enfarte agudo do miocárdio e, como tal, correm o risco de virem a sofrer insuficiência cardíaca.  
 

Vários fatores foram associados a um aumento do risco de desenvolvimento de insuficiência cardíaca após o primeiro enfarte do miocárdio. Cada aumento de dez anos na idade foi associado a um risco aumentado de 45%. Uma maior privação socioeconómica foi associada a um risco 27% maior de insuficiência cardíaca.
 

As condições associadas a um maior risco de desenvolvimento de insuficiência cardíaca após o primeiro enfarte do miocárdio incluíram: diabetes (44% de aumento de risco), fibrilação auricular (63% de aumento de risco), doença arterial periférica (38% de aumento de risco), doença pulmonar obstrutiva crónica (28% de aumento de risco), enfarte do miocárdio com elevação do segmento ST na apresentação (21% de aumento de risco) e hipertensão (16% risco aumentado).
 

“Estudos anteriores que analisaram todas as causas de insuficiência cardíaca, não só após o enfarte agudo do miocárdio, encontraram fatores de risco semelhantes. O nosso coorte de maiores dimensões confirma que estes são também fatores de risco para os pacientes que sofreram um enfarte agudo do miocárdio na era atual”, disse Johannes Gho
 

“A identificação destes fatores de prognóstico nos pacientes com enfarte agudo do miocárdio poderá ajudar-nos a prever o risco de desenvolvimento de insuficiência cardíaca e permitir administrar tratamentos para reduzir este risco”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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