Obsessão das mães é normal?

Estudo publicado no “The Journal of Reproductive Medicine”

07 março 2013
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Algumas mulheres que são mães pela primeira vez estão constantemente preocupadas com o seu bebé, verificando se este ainda está a respirar, ou podem ficar completamente obcecadas pela esterilização dos biberões ou chupetas, com medo que os microrganismos prejudiquem o seu recém-nascido.

 

Estes sintomas são habitualmente temporários e podem ser resultantes das alterações hormonais ou da resposta adaptativa à chegada do bebé. Contudo, um estudo publicado no “The Journal of Reproductive Medicine” refere que se estas compulsões interferirem com as atividades diárias das mães, podem indicar a existência de uma doença psicológica.
 

A autora principal do estudo, Dana Gossett, quis avaliar se os pensamentos obsessivos, ou seja pensamentos ou imagens indesejados e repetidos que criam ansiedade, sentidos após a sua gravidez, eram comuns a outras mulheres.
 

Assim, neste estudo os investigadores da Northwestern University Feinberg School of Medicine, nos EUA, contaram com a participação de 461 mulheres que tinham dado à luz recentemente. As participantes foram submetidas a testes para avaliação do seu estado de ansiedade, depressão e doença obsessiva-compulsiva.
 

O estudo apurou que duas a seis semanas após o parto, 11% das mulheres apresentavam sintomas obsessivos-compulsivos, comparativamente com os 2 a 3% da população. Os pensamentos mais comumente reportados pelas participantes foram preocupações referentes aos microrganismos e compulsão em verificar se não tinham cometido algum erro com o bebé. A líder do estudo, Emily Miller, referiu que as mães verificavam várias vezes se os monitores dos bebés estavam a funcionar, se o berço estava devidamente travado ou se os biberões estavam bem esterilizados.
 

Algumas mulheres do estudo relataram ter pensamentos intrusivos de que iriam prejudicar o bebé. "Isso pode ser emocionalmente doloroso", revelou Emily Miller. Os investigadores referem que as mulheres que após o parto têm sintomas obsessivos-compulsivos devem saber que este tipo de comportamento é comum e que acaba por passar na maior parte das vezes.
 

O estudo apurou que cerca de 50% das mulheres sentiu melhorias seis meses após ter dado à luz. Contudo, outras participantes desenvolveram sintomas que não tinham experienciado durante as duas primeiras semanas após o nascimento dos seus bebés. “Se os sintomas se desenvolverem mais tarde, são menos propensos a estarem relacionados com alterações hormonais ou serem causados pela adaptação”, referiu Dana Gossett. O risco de desenvolvimento de distúrbios psicológicos pode persistir um ano após o nascimento do bebé, acrescentou a investigadora.
 

Os investigadores constataram que cerca de 70% das mulheres que obtiveram resultados positivos para o distúrbio obsessivo-compulsivo também tinham depressão. Esta sobreposição e conjunto único de obsessões e compulsões podem indicar que o distúrbio obsessivo-compulsivo representa uma doença mental distinta da depressão pós-parto que ainda não está bem classificada.
 

“Existe algum debate sobre se a depressão pós-parto é simplesmente um episódio depressivo que ocorre após o nascimento ou se é uma doença com as suas características próprias. Neste sentido, o nosso estudo apoia a noção de que talvez esta seja uma doença própria com sintomas de ansiedade e distúrbio obsessivo compulsivo, distintos de um episódio depressivo”, conclui, Emily Miller.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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