Obesidade: uma doença cerebral?

Estudo da Universidade de Macquarie

20 julho 2016
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A obesidade pode ser, em última análise, uma doença cerebral, envolvendo a deterioração de vários processos cognitivos que influenciam a alimentação, dá conta um estudo apresentado na Sociedade para o Estudo do Comportamento Ingestivo.
 
Os investigadores da Universidade de Macquarie, na Austrália, demonstraram que a inibição da memória, a capacidade de bloquear as memórias que já não são necessárias e que dependem de uma área do cérebro conhecida por hipocampo, está associada à ingestão excessiva de alimentos.
 
Habitualmente, as memórias associadas aos alimentos devem ser o pensamento principal durante a fome, mas são posteriormente inibidas durante os momentos de saciedade. Desde modo, os pensamentos associados aos alimentos são retiradas quando a alimentação deixa de ser uma prioridade.
 
Estudos realizados em animais demonstraram que a dieta ocidental, rica em gorduras e açúcares e com baixos níveis de fruta, vegetais e fibra, afeta a capacidade de inibição da memória no hipocampo. Estes resultados podem sugerir que este tipo de dieta dificulta a inibição das memórias agradáveis desencadeadas pela visualização ou cheiro de alimentos saborosos. Isto pode tornar mais difícil resistir aos alimentos, mesmo quando já não se sente fome.
 
Neste estudo, os investigadores, liderados por Tuki Attuquayefio, encontraram novos dados para este problema nos humanos. Os participantes completaram testes de aprendizagem e memória dependentes do hipocampo, tendo também avaliado a associação e o desejo de comida saborosa antes e após um almoço saciante.
 
Os investigadores verificaram que os participantes que habitualmente adotavam uma dieta ocidental eram mais lentos a aprender e tinham mais dificuldades em recordar do que aqueles que ingeriam uma dieta saudável. O estudo apurou ainda que nestes indivíduos não havia muitas diferenças entre a vontade de consumir alimentos saborosos após uma refeição ou quando tinham fome.
 
“Mesmo que estivessem saciados, continuavam a querer consumir alimentos doces e com gordura”, revelou, em comunicado de imprensa, Tuki Attuquayefio.
 
O investigador adiantou ainda que este efeito estava fortemente associado ao desempenho dos participantes nas tarefas de aprendizagem e memória, o que sugere que existe uma ligação entre as duas vias no hipocampo.
 
Tal como já observado nos estudos realizados em animais, os indivíduos que consomem uma dieta com elevado teor de gordura e açúcar podem ter um menor desempenho nos testes de aprendizagem e memória devido ao impacto da dieta no hipocampo.
 
Os investigadores acreditam que a incapacidade de inibir memórias de alimentos quando se está saciado pode explicar o desejo persistente por snacks. Para pessoas de outro modo saudáveis, magras e jovens que consomem habitualmente dietas ricas em gordura e açúcar, a função do hipocampo afetada pode dificultar a regulação da ingestão de alimentos e aumentar o risco de desenvolvimento da obesidade.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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