Obesidade poderá acelerar declínio cognitivo

Estudo publicado no jornal “Neurology”

23 agosto 2012
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Ao que parece, o conceito “obesidade metabolicamente saudável” poderá afinal não ser uma realidade, atesta um estudo conduzido pelo instituto de investigação francês INSERM, em Paris, França.

 

Conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Archana Singh-Manoux, o estudo demonstrou que as pessoas obesas, com hipertensão arterial e outros distúrbios de origem metabólica apresentam um declínio mais rápido nas suas competências cognitivas, como o pensamento e memória.

 

Publicado na revista “Neurology” da American Academy of Neurology, a investigação contou com a participação de 6.401 mulheres e homens, com uma média de idades de 50 anos, que foram seguidos por um período de 10 anos. No início do estudo foram recolhidos dados dos participantes, como o índice de massa muscular (IMS) e fatores de risco.

 

31 por cento dos participantes apresentavam dois ou mais distúrbios de origem metabólica. Nove por cento eram obesos e 38 por cento tinham excesso de peso. Das 582 pessoas que eram obesas, 350 perfaziam os critérios de distúrbio de origem metabólica.

 

Os distúrbios de origem metabólica são aqui entendidas como apresentar dois ou mais dos seguintes fatores de risco: hipertensão arterial ou tomar medicação para tal; baixo nível de HDL ou “bom” colesterol; valor elevado de açúcar no sangue ou tomar medicação para diabetes; alto valor de triglicerídeos ou tomar medicação para baixar os níveis de colesterol.

 

No decorrer dos 10 anos seguintes os participantes foram submetidos, em três períodos diferentes, a vários testes às suas competências cognitivas, como a memória, capacidade de raciocínio e fluência a nível verbal.

 

A análise dos dados recolhidos revelou que as pessoas que eram obesas e com distúrbios metabólicos apresentavam um declínio cognitivo 22.5 por cento mais rápido do que os participantes com peso normal e sem anomalias metabólicas.

 

No entanto, o facto de se ser obeso mas metabolicamente saudável não é igualmente positivo, já que participantes desta categoria apresentavam também um declínio cognitivo mais rápido do que aqueles com peso normal e sem problemas metabólicos.

 

Archana Singh-Manoux afirmou que “é necessário efetuar mais pesquisa para perceber o efeito dos fatores genéticos e também ter em consideração há quanto tempo é que as pessoas são obesas e desde quando é que detêm fatores de risco de origem metabólica”. A autora afirmou também que é necessário “observar os resultados dos testes cognitivos ao longo da idade adulta para melhor compreendermos a ligação entre a obesidade e a função cognitiva, como o pensamento, raciocínio e memória”.

 

A autora conclui ainda que este estudo vem contrariar o conceito que as pessoas obesas que não apresentam fatores de risco de origem metabólica não demonstram resultados cardíacos e cognitivos negativos em comparação com pessoas obesas com fatores de risco de origem metabólica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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