Obesidade pode ser o resultado de uma vantagem selectiva dos nossos ancestrais
26 novembro 2001
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Os cientistas pensam ter encontrado a razão pela qual algumas mulheres têm tendência para ganharem peso com muita facilidade.
 

 

Quando ingerimos quantidades excessivas de hidratos de carbono (açúcares), estes são convertidos pelo nosso organismo em ípidos (gordura) que, depois, são acumulados. Aparentemente, nestas mulheres a conversão de açúcares em gordura é muito mais rápida do que nas mulheres que não engordam facilmente e, por isso, mantêm mais facilmente o seu peso.
 

 

Investigadores do Scottish Agricultural College, em Ayr, e do Medical Research Council, em Cambridge, estudaram o efeito de duas dietas diferentes em mulheres magras e em mulheres obesas.
 

 

Uma das dietas era rica em hidratos de carbono e desenhada para fornecer a quantidade de energia estritamente necessária às necessidades diárias de cada mulher. A outra dieta continha quantidades excessivas de açúcares e foi calculada para fornecer mais 50% de energia do que a necessária para cada mulher.
 

 

Dentro do grupo de mulheres que seguiram a dieta mais calórica,a taxa de conversão de açúcares em gordura foi duas vezes superior nas mulheres obesas.
 

 

Os investigadores pensam que estes resultados sugerem que algumas mulheres podem apresentar uma tendência muito elevada, possivelmente de origem genética, para fazer a conversão rápida de açúcares em gorduras.
 

 

De acordo com a coordenadora desta pesquisa, Regina McDevitt, em entrevista à BBC Online, o que parece acontecer é que alguns de nós, em determinadas circunstâncias nutricionais, somos mais eficientes ao fazer a conversão dos hidratos de carbono excessivos em lípidos. E talvez seja por isso que alguns de nós têm maior tendência para ganhar peso do que outros.
 

 

Em termos evolutivos, a tendência para transformar rapidamente os açúcares em gordura – lipogénese – poderá ter representado uma importante vantagem selectiva nas épocas em que as quantidades de alimento disponível não eram previsíveis e, dessa forma, o organismo estaria sempre pronto para passar algum tempo sem se alimentar, recorrendo unicamente às suas reservas de gordura.
 

 

Actualmente, no Mundo Ocidental caracterizado por um excesso de alimentos e energia, esta vantagem evolutiva dos nossos ancestrais parece ter-se tornado redundante.
 

 

Ian MacDonald, um especialista em obesidade da University of Nottingham, afirma que o efeito da lipogénese rápida nas pessoas tendencialmente obesas é muito reduzido e que este estudo carece de uma amostra mais representativa da população, uma vez que a amostra estudada era muito reduzida e constituída unicamente por mulheres.
 

 

Segundo as afirmações deste especialista à BBC Online, a obesidade pode ter uma causalidade genética ou pode dever-se à dieta habitual do indivíduo ou ainda ao seu estilo de vida. Pelo que, segundo Ian MacDonald, é muito prematuro atribuir à carga genética um papel tão determinante na tendência que uma determinada pessoa tem para ser obesa.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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