Obesidade parental associada a atrasos do desenvolvimento infantil

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

04 janeiro 2017
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As crianças cujos pais são obesos apresentam um maior risco de desenvolver atrasos no desenvolvimento, sugere um estudo publicado na revista “Pediatrics”.

 

Os investigadores do Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver, nos EUA, constataram que as crianças de mães obesas eram mais propensas a falharem em testes de motricidade fina, a capacidade de controlar movimentos dos pequenos músculos como aqueles realizados com os dedos e mãos.

 

Adicionalmente foi constatado que as crianças de pais obesos eram mais propensas a desenvolverem problemas ao nível das competências socias. No caso de ambos os pais serem obesos, as crianças eram mais propensas a falhar em testes de avaliação da capacidade de resolução de problemas.

 

Para esta análise os investigadores recolheram dados do estudo “Upstate KIDS”, que foi originalmente concebido para determinar se os tratamentos de fertilidade poderiam afetar o desenvolvimento infantil. O estudo envolveu mais de cinco mil mulheres quatro meses após terem dado à luz, entre 2008 e 2010.

 

De forma a avaliar o desenvolvimento das crianças, os pais preencheram o questionário “Idades e Fases” após realizarem várias atividades com os filhos. Este questionário não é utilizado para diagnosticar deficiências específicas, mas serve para identificar potenciais problemas, permitindo que as crianças sejam encaminhadas para testes adicionais.

 

As crianças foram avaliadas aos quatro meses de idade e mais seis vezes até terem completado três anos. No início do estudo as mães forneceram informações sobre o peso antes e após a gravidez, bem como o peso dos seus companheiros.

 

O estudo apurou que, comparativamente com as crianças cujas mães tinham um peso saudável, aquelas com mães obesas tinham um risco 70% de falharem nos testes de motricidade fina. As crianças de pais obesos eram 75% mais propensas a falharem nos testes de avaliação das competências socias. Adicionalmente verificou-se que as crianças cujos ambos os pais eram obesos eram cerca de três vezes mais propensas de falharem em testes de avaliação de resolução de problemas.

 

Apesar de ainda não se saber ao certo por que motivo a obesidade parental aumenta o risco das crianças terem atrasos no desenvolvimento, alguns estudo realizados em animais têm sugerido que a obesidade durante a gravidez pode promover a inflamação e afetar consequentemente o cérebro do feto.

 

Por outro lado, alguns estudos têm indicado que a obesidade pode afetar a expressão de genes nos espermatozoides.

 

No caso de a associação entre a obesidade e o atraso no desenvolvimento ser confirmada, na opinião dos investigadores os médicos poderão ter de ter em conta o peso parental quando estão a rastrear as crianças para eventuais problemas de desenvolvimento.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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