Obesidade no início da gravidez: risco de epilepsia no bebé?

Estudo publicado na revista “JAMA Neurology”

06 abril 2017
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Um novo estudo demonstrou que o excesso de peso materno no início da gravidez faz aumentar a possibilidade de o bebé vir a desenvolver epilepsia.
 
Considerando que o excesso de peso e obesidade maternos têm vindo a aumentar globalmente, tem havido uma preocupação crescente sobre os possíveis efeitos neurológicos de longo prazo do excesso de peso materno sobre as crianças. Mais, na maioria dos casos, não existe ainda uma explicação objetiva sobre as causas da epilepsia.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Instituto Karolinska, na Suécia, analisou mais de 1,4 milhões de bebés nascidos na Suécia, entre 1997 e 2011, de forma a determinar a relação entre o índice de Massa Corporal (IMC) materno no primeiro trimestre de gravidez e o risco de epilepsia no bebé no futuro.
 
Entre os participantes no estudo detetaram-se 7.592 crianças com epilepsia em 2012, ou seja, 0,5% da amostra. Os investigadores descobriram que a possibilidade de uma criança desenvolver epilepsia correspondia ao IMC materno às 14 semanas de gestação.
 
A equipa classificou o excesso de peso/obesidade da seguinte forma: um IMC de 25 a 29.9 correspondia a excesso de peso; de 30 a 34,9 a grau I de obesidade; de 35 a 39,9 a grau II de obesidade; finalmente, 40 ou mais correspondia a obesidade de grau III.
 
Comparativamente a mães com o peso normal, o risco de epilepsia nos filhos de mães com excesso de peso ou obesidade aumentava nas seguintes percentagens: 11% nas mães com excesso de peso, 20% nas mães com obesidade de grau I, 30% nas mães com obesidade de grau II e 82% nas mães com obesidade de grau III. 
 
Os autores do estudo especulam sobre as possíveis razões para esta associação, como o facto de o excesso de peso e obesidade maternos poderem fazer aumentar o risco de lesões cerebrais no bebé, o que poderá fazer aumentar o risco de epilepsia ou que a inflamação provocada pela obesidade poderá afetar o desenvolvimento do cérebro do bebé.  
 
Adicionalmente, foi verificado que a obesidade materna faz aumentar o risco de asfixia no parto, bem como de complicações neonatais.
 
“Considerando que o excesso de peso e a obesidade são fatores de risco potencialmente modificáveis, a prevenção da obesidade nas mulheres em idade fértil poderá constituir uma estratégia de saúde importante para reduzir a incidência da epilepsia”, avançou Neda Razaz, autora principal do estudo.
 
Este estudo apresenta, todavia, limitações como a possível interpretação incorreta de alguns dados e o facto de a causa da epilepsia poder ser multidimensional, envolvendo a interação de fatores genéticos e ambientais. Finalmente, este estudo não foi elaborado para demonstrar uma relação de causa e efeito, sendo que mais investigação se torna necessária. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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