Obesidade mórbida: mecanismo e possível tratamento descoberto

Estudo publicado na “Nature Communications”

01 novembro 2013
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Muitas pessoas com obesidade mórbida continuam a ingerir alimentos em demasia tendo em conta as suas reservas e necessidades. No entanto, nestes pacientes, a hormona que controla a fome encontra-se frequentemente em níveis normais. O estudo agora publicado na “Nature Communications” explica o mecanismo responsável por esta condição paradoxal.
 

A obesidade e os seus mecanismos ainda não estão completamente esclarecidos. Habitualmente o controlo do peso e da ingestão de alimentos é coordenado por uma zona específica do cérebro, o hipotálamo. Este ajusta o consumo de alimentos tendo em conta as reservas e necessidades do organismo. Desta forma, após um período de consumo excessivo de alimentos e ganho de peso, um indivíduo saudável tende espontaneamente a reduzir a ingestão de alimentos durante algum tempo, até adquirir o seu peso habitual.
 

No caso da obesidade mórbida, este mecanismo está afetado e, apesar dos esforços, os indivíduos continuam a ingerir alimentos em excesso (hiperfagia), contribuindo para a manutenção ou até mesmo ganho de peso. O que é de facto surpreendente é que a hormona grelina que regula a fome, sendo produzida no estômago e atuando no hipotálamo, é frequentemente encontrada em níveis normais ou até reduzidos nestes pacientes.
 

Neste estudo, os investigadores do Inserm, em França, encontraram no sangue destes pacientes anticorpos específicos, ou imunoglobulinas, que reconhecem a grelina e que regulam o apetite. Através da sua ligação, os anticorpos protegem a grelina de ser metabolizada rapidamente na corrente sanguínea. Desta forma, a grelina pode atuar durante mais tempo no cérebro e estimular o apetite.
 

“As imunoglobulinas têm diferentes propriedades nestes pacientes. Nos indivíduos com obesidade mórbida elas são atraídas com uma maior intensidade pela grelina, comparativamente com os indivíduos com peso normal ou anoréticos. É esta diferença de afinidade que permite a estes anticorpos transportarem mais grelina para o cérebro e aumentar o consumo de alimentos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sergueï Fetissov.
 

Os investigadores comprovaram este mecanismo através da realização de experiências realizadas em ratinhos. De acordo com os autores do estudo, esta descoberta poderá ajudar no desenho de novos tratamentos para reduzir a hiperfagia observada nos casos de obesidade e também no fenómeno oposto, a anorexia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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