Obesidade infantil dita início da puberdade

Estudo publicado no “Frontiers in Endocrinology”

03 agosto 2012
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A obesidade infantil pode afetar a puberdade e diminuir a capacidade de reprodução, especialmente nas mulheres, sugere um estudo publicado no “Frontiers in Endocrinology”.
 

A nutrição pobre e a fome foram, durante milhares de anos de evolução, foco de uma grande preocupação. Contudo, recentemente o corpo humano tem estado a lutar para se ajustar a um problema relativamente novo, a superabundância de alimentos.
 

“A obesidade é um problema recente em termos evolução, e uma vez que o estado nutricional é importante em termos de reprodução, a síndrome metabólica causada pela obesidade pode afetar profundamente a capacidade reprodutiva”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Patrick Chappell.
 

A comunidade científica ainda está a descobrir qual o impacto que a obesidade tem no início da puberdade bem como os seus efeitos no fígado, pâncreas e outras glândulas endócrinas. Apesar de haver variações naturais na progressão da puberdade, ainda não são claros os sinais que a controlam. Nos últimos anos tem-se verificado que a puberdade está a ocorrer mais cedo nas raparigas, ou seja, está a ser acelerada.
 

Na opinião dos investigadores da Oregon State University, nos EUA, esta antecipação da puberdade pode ter vários efeitos, nomeadamente numa neurohormona necessária para a reprodução, a kisspetina. Os níveis desta hormona podem estar a ser afetados pelos sinais endócrinos das células adiposas que estão envolvidas na comunicação com as células cerebrais.
 

Um outro efeito associado sobre a puberdade e reprodução em geral é a alteração do relógio biológico, que reflete ritmos normais do dia e da noite. A interrupção dos ciclos de sono e vigília pode afetar a secreção de hormonas, como o cortisol, a testosterona e a insulina.
 

“Qualquer interrupção do ritmo circadiano pode causar numerosos problemas, e grandes alterações na dieta e no metabolismo podem afetar estes relógios biológicos”, explica o investigador. “A interrupção do relógio através da dieta pode ainda piorar o metabolismo, tornando os danos ainda maiores, bem como afetar o sono e a reprodução.”
 

Alguns estudos realizados em humanos constataram que havia uma associação entre a puberdade precoce e o risco de cancro no sistema reprodutivo, desenvolvimento de diabetes na idade adulta e síndrome metabólica. Por outro lado, a puberdade precoce tem sido associada a um aumento das taxas de depressão e ansiedade nas raparigas, bem como a um aumento do comportamento delinquente, tabagismo e experiências sexuais precoces.
 

Os investigadores referem ainda que existem outros estudos que sugerem que estes problemas podem persistir até à idade adulta, conjuntamente com uma baixa qualidade de vida, elevadas taxas de distúrbios alimentares, fraco aproveitamento escolar e elevadas taxas de abuso de substâncias.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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