Obesidade extrema é cada vez mais incidente em Portugal

Cirurgia bariátrica é cada vez mais utilizada nos adolescentes

08 fevereiro 2012
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A cirurgia bariátrica é uma das soluções cada vez mais propostas pelos especialistas para combater a obesidade extrema que atinge os adolescentes portugueses, os quais se chegam a submeter a este tipo de intervenção apresentando mais de cem quilos, com apenas 13 anos.

 

“Não só está a aumentar a obesidade entre os adolescentes, como estão a aumentar os casos graves”, revelou à agência Lusa, Helena Mansilha, pediatra do Centro Hospitalar do Porto, acrescentando que a incidência de obesidade extrema é de 13%.
De acordo com a especialista, a cirurgia bariátrica (cirurgia para a obesidade) “é o melhor tratamento atual para os casos de obesidade na adolescência”, uma vez que tem poucos riscos e muitas vantagens associadas

 

Um dos principais problemas que estes jovens enfrentam é uma baixa taxa de sucesso da terapêutica que alia dieta a exercício físico, acrescentou Helena Mansilha.

 

Rui Ribeiro, um especialista em obesidade do Hospital de São José, revelou que a terapêutica convencional (dieta e exercício) tem uma taxa de desistência superior a 90%, baixa adesão por parte dos adolescentes e uma baixa taxa de sucesso. Foi falta de resultados que levou o Centro Hospitalar do Porto a integrar a cirurgia infantil no seu serviço, explicou o cirurgião pediátrico Carlos Enes.

 

Desde 2001, aquele hospital já operou 16 adolescentes entre os 13 e os 17 anos, com pesos entre os 105 e os 177 quilos e um índice de massa corporal médio de 46,6 (o normal situa-se entre os 18,5 e os 25). A mesma experiência já é aplicada no Centro Hospitalar de Lisboa Central desde 2003.

O coordenador da Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade, Rui Ribeiro, revelou que até 2011 foram submetidos a cirurgia bariátrica naquele hospital, 31 adolescentes entre os 14 e os 20 anos, com um peso médio de 142,5 quilos. Destes casos tratados, 60% eram raparigas e 40% eram rapazes.


Entre as razões que levam os especialistas a optar cada vez mais por esta terapêutica nos jovens, contam-se, não só a elevada taxa de sucesso (perda de peso foi de pelo menos 20 quilos), mas o facto de ser uma técnica segura, que diminui os riscos para a saúde – como diabetes, aterosclerose ou acidentes cardiovasculares, e a taxa de mortalidade precoce na idade adulta.

 

“Os adolescentes vivem cada vez mais em ambientes obesigénicos: comem porções cada vez maiores, é-lhes incutida a suposta necessidade de estarem sempre a comer e seguem comportamentos alimentares errados [alimentos de baixo valor nutritivo e elevado teor calórico]”, que lhes são inculcados pelos contextos social, familiar e cultural, explicou Helena Mansilha.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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