Obesidade e diabetes: a culpa é das bactérias intestinais?

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

03 novembro 2015
  |  Partilhar:

O excesso de bactérias nos intestinos pode alterar a forma como o fígado processa a gordura e conduzir ao desenvolvimento da síndrome metabólica, sugere um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.

 

A síndrome metabólica é um grupo de condições que incluem a obesidade, diabetes tipo 2, pressão arterial elevada, níveis de glucose no sangue elevados e excesso de gordura em torno da cintura. Os indivíduos que têm três ou mais destas condições são considerados ter síndrome metabólica e são mais vulneráveis a doenças hepáticas e cardíacas.

 

A investigação apoiada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH, sigla em inglês), nos EUA, tem recomendado aumentar o consumo de fibra uma vez que esta melhora várias aspetos da saúde. Contudo, num determinado segmento da população, esta recomendação pode ser mais prejudicial que benéfica.

 

Apesar de os humanos ou os ratinhos não conseguirem digerir as fibras de origem vegetal, as bactérias intestinais são capazes de fermentar as fibras e libertá-las sob a forma de ácidos gordos de cadeia curta ricos em energia, como o ácido acético. Uma vez chegados ao fígado, estes compostos convertem-se em lípidos e juntam-se aos depósitos de gordura que podem potencialmente conduzir ao desenvolvimento da síndrome metabólica, especialmente em indivíduos ou ratinhos que não expressão um recetor conhecido por TLR5 (do inglês, toll-like receptor 5).

 

O TLR5 é um recetor da flagelina bacteriana e faz parte do sistema imune inato que mantem a homeostasia intestino-bactéria, impedindo a proliferação excessiva das bactérias intestinais. De acordo com um dos autores do estudo, Matam Vijay-Kumar, aproximadamente 10% da população humana tem uma mutação genética no TLR5, anulando completamente a sua função. Deste modo estes indivíduos têm um sistema imunológico mais enfraquecido e um aumento do risco de desenvolvimento da síndrome metabólica.

 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Penn State, nos EUA, sugere que a fermentação bacteriana das fibras e a produção de ácidos gordos de cadeia curta contribuem para a deposição de gordura no fígado. Isto pode ser prejudicial para o fígado caso este processo fique desregulado, especialmente nos indivíduos com excesso de bactérias intestinais habitualmente associadas a doenças intestinais e hepáticas.

 

O estudo apurou que existe uma associação entre a fermentação bacteriana descontrolada, ácidos gordos de cadeia curta e aumento dos lípidos no fígado, que podem conduzir à doença do fígado gordo não alcoólico, que conduz a danos no fígado. Verificou-se também que o consumo excessivo de fibra pode ter consequências adversas nos ratinhos com a função do TLR5 afetada e crescimento excessivo de bactérias intestinais.

 

Em experiências futuras os investigadores vão analisar os efeitos a longo termo dos ácidos gordos de cadeia curta, especialmente em modelos experimentais da diabetes e/ou síndrome metabólica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.