Obesidade e a decomposição dos hidratos de carbono

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

02 abril 2014
  |  Partilhar:

A obesidade parece estar geneticamente associada ao modo como o organismo digere os hidratos de carbono, sugere um estudo publicado na revista ” Nature Genetics”.
 

Neste estudo os investigadores do Kings College London e Imperial College London, no Reino Unido, decidiram investigar a relação entre o peso corporal e um gene (AMY1) associado à presença de uma enzima na saliva, conhecida por amílase salivar. Esta enzima desempenha um papel importante na decomposição dos hidratos de carbono no início do processo de digestão.
 

Estudos anteriores já tinham constatado que havia uma associação genética entre a obesidade e o apetite, mas esta nova descoberta mostra que há uma nova associação genética entre o metabolismo e a obesidade. Foi sugerido que o organismo das pessoas reage de forma diferente aos mesmos tipos de alimentos, conduzindo a um aumento de peso só em determinados indivíduos.
 

Os investigadores começaram por medir os padrões de expressão genética em 149 famílias suecas com diferentes níveis de obesidade. Foi verificado que estas tinham padrões de expressão genética anormais em dois genes, AMY1 e AMY2, que codificam para a amílase salivar e pancreática. Este achado sugere que uma variação no número de cópias está diretamente associada à obesidade. Estes resultados foram replicados noutras populações.
 

O estudo apurou ainda que cópias do gene AMY1 que codifica para a amílase salivar estava consistentemente associado à obesidade. Os investigadores constataram que um menor número de cópias deste gene estava associado a um maior risco de obesidade em todas as populações analisadas. Foi verificado que havia uma diferença de oito vezes no risco de obesidade, entre os indivíduos com um maior e menor número de cópias do gene AMY1.
 

“Estes resultados são muito entusiasmantes. Apesar dos estudos anteriores terem encontrado pequenos efeitos em genes que alteram o comportamento alimentar, descobrimos como as “ferramentas” digestivas do metabolismo variam entre as pessoas, bem como os genes que as codificam podem ter uma grande influência no peso”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Tim Spector.
 

Os investigadores vão tentar obter em estudos futuros mais informações sobre a atividade desta enzima digestiva, e avaliar se esta pode ser utilizada como um biomarcador ou alvo do tratamento da obesidade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.