Obesidade: descoberto potencial marcador

Estudo publicado na revista “Nature”

16 maio 2016
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Investigadores americanos identificaram um novo marcador biológico associado ao desenvolvimento da obesidade e um possível alvo de tratamento e prevenção para esta condição, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.

 

A neurotensina, um peptídeo produzido principalmente no trato gastrointestinal e sistema nervoso central, é libertada com a ingestão de gordura e facilita a absorção de ácidos gordos no intestino. Estudos anteriores demonstraram que a neurotensina também é capaz de estimular o crescimento de vários tipos de cancro e que os níveis aumentados da pró-NT (uma hormona percursora da neurotensina) em jejum estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e cancro da mama.

 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Kentucky, nos EUA, analisaram os dados de um estudo epidemiológico, “Malmö Diet and Cancer Study”, que incluiu 28.449 indivíduos que foram acompanhados ao longo de uma média de 16,5 anos.
 

O estudo apurou que os indivíduos obesos e resistentes à insulina apresentavam níveis significativamente mais elevados de pró-NT em jejum. Verificou-se também que o risco de desenvolvimento de obesidade era duas vezes maior nos indivíduos não obesos que tinham as concentrações de pró-NT em jejum mais elevadas, comparativamente com aqueles que apresentavam os níveis mais baixos.
 

Os investigadores, liderados por Mark Evers, utilizaram modelos de animais para demonstrar que uma deficiência na neurotensina protegia contra a obesidade, a resistência à insulina e a doença do fígado gordo associada ao elevado consumo de gordura. Estes resultados sugerem, assim, um potencial marcador precoce da obesidade futura e um novo alvo terapêutico desta doença.
 

“Estes resultados redefiniram como vemos o papel da neurotensina. A neurotensina parece ser um peptídeo metabolicamente "poupado", que aumenta a absorção de gorduras ingeridas. Contudo, com a abundância de gorduras na dieta típica ocidental, a neurotensina pode ter efeitos prejudiciais ao contribuir para o aumento da obesidade e distúrbios metabólicos associados”, disse o investigador.
 

Uma vez que a neurotensina pode contribuir para o crescimento de determinados cancros e foi agora associada à obesidade, Mark Evers especula que o peptídeo pode contribuir para o desenvolvimento de alguns cancros associados à obesidade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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