Obesidade da mãe: porque afeta o peso do bebé?

Estudo publicado no “International Journal of Obesity”

26 agosto 2016
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Investigadores americanos descobriram por que motivo as crianças cujas mães são obesas apresentam um maior risco de desenvolverem obesidade, dá conta um estudo publicado no “International Journal of Obesity”.
 

Os investigadores do Centro de Diabetes Joslin, nos EUA, demostraram que as células umbilicais das crianças cujas mães são obesas ou têm excesso de peso têm uma alteração na expressão de genes que são importantes na regulação da energia celular e metabolismo, comparativamente com as células dos bebés com mães com peso normal.
 

De acordo com Elvira Isganaitis, uma das autoras do estudo, estes resultados podem melhorar os cuidados de saúde, antes e após o nascimento para as crianças em risco de obesidade. O estudo também sugere que o aumento do risco de obesidade pode ser resultante da presença de níveis elevados de determinados lípidos no sangue materno que fluem através do cordão umbilical.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 24 mulheres com excesso de peso ou obesas e 13 mulheres sem excesso de peso. Foram recolhidas células umbilicais da veia que transporta oxigénio e outros nutrientes da placenta para o embrião.
 

O estudo apurou que, nestas células, a obesidade aumentada das mães estava associada a uma menor expressão de genes que regulam a mitocôndria (organelos que estão envolvidos na produção de energia) e doutros genes que regulam a produção e metabolismo dos lípidos.
 

Estes resultados sugerem que já existem perturbações metabólicas importantes à nascença que resultam da obesidade materna. As alterações observadas são similares às que ocorrem na obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2.
 

Através da análise do sangue fetal, os investigadores verificaram que os bebés de mães obesas apresentavam níveis elevados de muitos lípidos que são conhecidos por serem metabolicamente prejudiciais, como os ácidos gordos saturados.
 

A investigadora espera que no futuro seja possível utilizar marcadores sanguíneos para identificar embriões em risco de desenvolver obesidade ou outras condições relacionadas, como diabetes tipo 2, e acompanhá-los com intervenções médicas adequadas.
 

Elvira Isganaitis acrescentou que as mães e os profissionais de saúde também podem acompanhar os padrões de crescimento e nutrição das crianças com risco de obesidade, tanto nos primeiros dois de vida como depois. “O risco de doenças crónicas não está determinado à nascença, existem vários períodos em que o risco de doença ao longo da vida pode ser modelado”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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