Obesidade: a gordura “boa” e “má”

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

09 janeiro 2013
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A obesidade não é sempre causada pelo consumo excessivo de alimentos ou falta de exercício físico. Um novo estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation” sugere que um maior armazenamento de gordura e menor gasto energético podem ser causados pela ausência de uma proteína conhecida por p62.
 

O estudo, levado a cabo por uma equipa internacional de investigadores, sugere que a ausência desta proteína no tecido adiposo conduz a alterações no equilíbrio metabólico. Há inibição do tecido adiposo castanho, ou gordura “boa”, em detrimento do tecido adiposo branco ou gordura “má”.
 

“Na ausência da p62 há uma produção de elevadas quantidades de gordura, mas a energia não é queimada, o que leva o organismo a armazenar mais energia”, explicou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Jorge Moscat.
 

Os investigadores já tinham observado que os ratinhos que não expressavam a p62 eram obesos e sofriam de síndrome metabólica. Em comparação com os ratinhos controlo, estes ratinhos tinham um maior peso, despendiam menos energia, tinham diabetes e uma resposta hiper-inflamatória característica da obesidade. “Apesar de termos demonstrado que a ausência da p62 conduzia à obesidade não sabíamos qual era o tecido responsável, uma vez que a proteína estava ausente em todos eles”, explicou o investigador.
 

Os autores do estudo explicam ainda que ao contrário do tecido adiposo branco, o castanho é benéfico porque queima calorias. Muitos investigadores acreditam que de alguma forma o tecido adiposo castanho é afetado na obesidade, contudo até à data não se sabia ao certo como isto ocorria.
 

Neste estudo foram criados diferentes modelos animais, estando a p62 apenas ausente num sistema ou órgão específico, nomeadamente, sistema nervoso central, fígado ou músculo. Foi verificado que todos eles eram saudáveis e não eram obesos como os animais que não expressavam a proteína em todos os tecidos.
 

Posteriormente, os investigadores criaram ratinhos que não apresentavam a p62 apenas no tecido adiposo castanho, tendo observado que estes ficaram obesos. Após uma análise mais detalhada, foi constatado que a p62 bloqueava a ação da enzima ERK e ativava uma outra conhecida por p38. Assim, ao que tudo indica a p62 regula o metabolismo do tecido adiposo.
 

De acordo com o investigador, a descoberta da p62 no tecido adiposo castanho é encorajador, uma vez que este tecido é muito mais acessível do que outras regiões do organismo a potenciais terapias farmacológicas. O desenvolvimento de novas terapias contra a obesidade pode desta forma estar facilitado, conclui Jorge Moscat.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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