Obesidade: a culpa é dos genes?

Estudo publicado na revista “Nature”

16 fevereiro 2015
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Existem várias razões para as pessoas ganharem peso de forma distinta e acumularem gordura em diferentes zonas do corpo. O estudo publicado na revista “Nature”, vem agora comprovar que, para além dos fatores ambientais e dietéticas, os genes têm uma grande influência na obesidade.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Elizabeth Speliotes, decidiram analisar a base genética do Índice de Massa Corporal (IMC) em 339.224 indivíduos. Foram identificadas 97 regiões do genoma associadas à obesidade. Este achado corresponde ao triplo do número de regiões previamente conhecidas.
 

"O nosso estudo demonstrou claramente que a predisposição para a obesidade e aumento do índice de massa corporal não são resultantes de alterações genéticas num único gene. O grande número de genes descobertos diminui a probabilidade de encontrar uma única solução para vencer a obesidade em todos os indivíduos afetados”, revelou, em comunicado de imprensa a investigadora.
 

A compreensão destes mecanismos poderá não só ajudar a explicar por que motivo nem todas as pessoas obesas desenvolvem doenças metabólicas associadas, como a diabetes tipo 2 e colesterol elevado, mas também poderá conduzir a formas de tratar a obesidade ou prevenir as doenças metabólicas naquelas pessoas que já são obesas.
 

A equipa internacional de investigadores constatou ainda que o sistema nervoso central também estava envolvido na suscetibilidade à obesidade, incluindo uma via que responde a alterações do apetite e jejum.
 

“Através de métodos computacionais inovadores, identificámos novas vias biológicas que atuam no cérebro para regular a obesidade, e também um conjunto diferente de vias envolvidas na distribuição da gordura que regulam processos metabólicos chave”, explicou um outro autor do estudo, Joel Hirschhorn.
 

Os investigadores referem que enquanto alguns genes envolvidos na obesidade podem já ter sido associados a outros aspetos da saúde humana, outros podem fazer parte de vias que ainda não foram completamente clarificadas. Um melhor conhecimento das suas funções associadas à gordura corporal e obesidade pode fornecer uma melhor imagem do papel que esses genes desempenham em várias doenças.
 

“Encontrar os genes que aumentam o risco de obesidade é só o fim do princípio. Agora o maior desafio é aprender sobre as funções destas variações genéticas e como elas de facto aumentam a suscetibilidade das pessoas para ganharem peso”, conclui uma coautora do estudo, Ruth Loos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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