Obesidade “alimenta” danos cardíacos silenciosos

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology: Heart Failure”

25 novembro 2014
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Os indivíduos obesos sem sintomas de doença cardíaca apresentam danos cardíacos silenciosos que aumentam o risco de insuficiência cardíaca, sugere um estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology: Heart Failure”.
 

O estudo, realizado pelos investigadores da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, põe em causa a crença atual de que muita da doença cardiovascular diagnosticada em indivíduos excessivamente obesos é desencadeada pela diabetes e hipertensão arterial, dois fatores de risco cardíaco bem conhecidos e que ocorrem frequentemente nos indivíduos obesos.
 

Os investigadores demonstraram que os indivíduos obesos apresentavam níveis elevados de uma enzima cardíaca, a troponina T, que é libertada pelas células cardíacas danificadas. Níveis aumentados desta enzima estão associados a níveis elevados de índice de massa corporal (IMC). Os níveis desta enzima aumentam proporcionalmente com um aumento do IMC.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores mediram o IMC e os níveis de troponina T em 9.500 indivíduos sem doença cardíaca que tinham entre 53 e 75 anos. Os participantes foram acompanhados ao longo de 12 anos, período durante o qual 869 pessoas desenvolveram insuficiência cardíaca.
 

O estudo apurou que os indivíduos severamente obesos, com IMC superior a 35, apresentavam um risco duas vezes maior de insuficiência cardíaca comparativamente com aqueles com peso normal. Este risco aumentou gradualmente com o IMC, com um crescimento de 32% por cada aumento de cinco unidades no IMC.
 

Independentemente dos valores de IMC, os indivíduos com níveis elevados de troponina T apresentavam um maior risco de desenvolver insuficiência cardíaca. Os investigadores constataram ainda que os indivíduos excessivamente obesos e com elevados níveis de troponina T apresentavam um risco nove vezes maior de ter insuficiência cardíaca, comparativamente com aqueles com um peso normal e níveis de troponina indetetáveis. Este risco persistiu mesmo após os investigadores terem tido em conta outras causas associadas aos danos cardíacos, como diabetes, hipertensão e níveis elevados de colesterol.
 

“Estes resultados são uma chamada de atenção para o facto de a obesidade poder promover ainda mais a taxa de insuficiência cardíaca, e os médicos que tratam das pessoas obesas não devem ser levados pela falsa segurança da ausência de fatores de risco tradicionais, como o colesterol elevado, diabetes e hipertensão. As pessoas obesas, mesmo sem sintomas cardiovasculares, devem ser monitorizadas para os primeiros sinais de insuficiência cardíaca e aconselhadas sobre formas de melhorar os seus hábitos de vida”, conclui um dos autores do estudo, Roger Blumenthal.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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