O uso dos antibióticos varia muito nos países da União Europeia

Portugal entre os mais “consumistas”

11 junho 2001
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Pela primeira vez investigadores na área da medicina, resolveram observar qual o tipo e com que frequência os Europeus usam (e possivelmente abusam) os antibióticos, focando o perigo de aquisição de resistências por parte das bactérias.
 

 

O estudo demonstrou que as vendas de antibióticos variam muito, com mais de 400% de diferença entre os 15 países da União Europeia, segundo revelam o Dr. Otto Cars e seus colegas do Instituto Sueco para o Controlo das Doenças Infecciosas, sediado em Estocolmo. Estes cientistas descobriram também que a França lidera o mercado das vendas, seguida pela Espanha, Portugal e Bélgica. Os países em que registaram menos vendas são: a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca, com a Holanda a registar os valores mais baixos.
 

 

Os Franceses venderam cerca de 37 doses diárias de antibióticos por cada 1000 habitantes em 1997, em contraste com apenas as 9 doses diárias por 1000 habitantes vendidas na Holanda. Acredita-se que o abuso de antibióticos constitui o principal factor causal do aparecimento de bactérias resistentes, o que constitui um grave problema que abrange cada vez mais países em todo o Mundo.
 

 

“ Nós esperávamos constatar que haveria alguma variação, mas cerca de 400% de diferença entre países da EU é um exagero.”, afirma o Dr. Cars. Acrescenta ainda que “ observar diferenças tão significativas entre países vizinhos como a Bélgica e a Holanda, é realmente um fenómeno interessante” (a Bélgica registou a vendas de cerca de 27 doses diárias por 1000 habitantes).
 

 

Entre 1993 e 1997, sete países registaram um aumento de menos de 4% na venda de antibióticos, mas simultaneamente verificaram-se aumentos dramáticos em Itália (34%) e no Luxemburgo (12%). A Suécia em contrapartida apresenta a maior quebra, com uma queda de 21%.
 

 

As penicilinas de largo espectro foram o tipo de antibiótico mais usado em 11 dos 15 países, segundo revelam os investigadores. Os valores variaram entre os 56% de vendas totais em Espanha e 20% de vendas totais na Alemanha. O uso de outros tipos de antibióticos variou bastante entre os outros países.
 

 

“ O achado mais importante de toda esta investigação foi a grande variedade do uso de antibióticos nos pacientes em ambulatório”, revelam os autores na edição de 9 de Junho da revista The Lancet, onde acrescentam que “ A grande variação na escolha do antibiótico a utilizar não é, muito provavelmente, devido ao facto de existirem diferentes bactérias na origem dos processos infecciosos”.
 

 

Contudo o Dr. Cars afirma que ainda não existem estudos comparativos entre a Europa e os Estados Unidos, e “Um estudo prévio indicou que as vendas de antibióticos nos E.U.A. se assemelhariam aos dados obtidos nos países com maior consumo de antibióticos da União Europeia”.
 

 

Os cientistas consideram também que o consumo da totalidade de antibióticos constitui o principal factor agravante no desenvolvimento de resistências, e que muito provavelmente não é possível reverter todo este processo, contudo, uma maior racionalização no uso dos antibióticos poderá vir a contribuir para impedir o aumento do número de estirpes resistentes.
 

 

 

Fonte: Reuters
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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