O tratamento do cancro acelera o envelhecimento cerebral?

Estudo publicado na revista “Cancer”

28 novembro 2018
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Uma equipa de investigadores descobriu que os tratamentos para o cancro, como a quimioterapia, podem acelerar certos processos de envelhecimento do cérebro.
 
O efeito da quimioterapia sobre as capacidades cognitivas é já bem conhecido, nomeadamente em mulheres com cancro da mama, podendo afetar a sua qualidade de vida e prolongar-se por bastante tempo após o fim do tratamento. Os tratamentos para o cancro podem causar ainda fadiga persistente e dor física.
 
Num estudo conduzido por investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA, foram analisadas 94 mulheres, com 36 a 69 anos de idade que tinham sido submetidas a tratamento para o cancro da mama, entre três a seis anos antes.
 
Os investigadores analisaram marcadores do envelhecimento biológico como níveis elevados de danos no ADN, menor atividade na telomerase e telómeros mais curtos. Os telómeros são as extremidades dos cromossomas que protegem o material genético da célula. Cada vez que as células se replicam, os telómeros ficam mais curtos. 
 
A telomerase é uma enzima que ajuda a manter o comprimento dos telómeros. A atividade da telomerase pode ser um indicador da saúde celular.
 
A equipa apurou que as participantes que apresentavam danos mais elevados no ADN e uma atividade limitada de telomerase tendiam a obter classificações mais baixas em testes de avaliação à sua função executiva. 
 
As mulheres com uma atividade limitada de telomerase evidenciavam ainda uma menor capacidade de atenção e menor rapidez de movimentos motores.
 
Judith Carrol, coautora do estudo, considera que os resultados sugerem que os tratamentos para o cancro podem acelerar o envelhecimento de certos processos cognitivos e que estes achados “poderão conduzir a novas intervenções para prevenir estes declínios cognitivos”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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