O suicídio infantil acontece

O alerta foi dado ontem no II Simpósio da Sociedade Portuguesa de Suicidologia

17 março 2002
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A criança, por aspectos ligados ao seu próprio desenvolvimento, pode encarar a morte como um fenómeno atractivo, o que constitui um factor de risco para o suicídio, alertou ontem a pedo-psiquiatra Cristina Oliveira, no âmbito do II Simpósio da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, que decorreu em Condeixa-a-Nova.
 

 

"As crianças podem não encarar a morte como irreversível, podem criar fantasias em torno de uma vida melhor após a morte e querer experimentá-la", observou a especialista dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
 

 

Embora raro, o suicídio infantil acontece e pode ser desencadeado também por factores de risco, como a existência de uma doença grave (mesmo que já debelada) na criança, ou por uma sintomatologia depressiva.
 

 

O facto de já se ter verificado um suicídio na família constituiu também um factor de risco, assim como situações de "stress" com as quais a criança não consegue lidar. "A família deve estar atenta quando existem factores de risco", defendeu a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra em declarações à agência Lusa.
 

 

No simpósio, sobre "Modelos de Intervenção nos Comportamentos Suicidários", Cristina Oliveira proferiu uma comunicação subordinada ao tema "A Criança, o Corpo e a Morte". Prevenção, Avaliação e Terapêutica foram as três áreas debatidas no evento, por especialistas como Carlos Braz Saraiva, Adriano Vaz Serra, Daniel Sampaio e Eduardo de Sá, entre outros.
 

 

"Não considerando o fenómeno do suicídio ao Sul do Tejo, no panorama internacional, Portugal mantém taxas relativamente baixas, à semelhança dos restantes países do Sul da Europa", nota a direcção da Sociedade Portuguesa de Suicidologia. Contudo, estima-se que a taxa anual de tentativas de suicídio, em Portugal, pelo menos na Região Centro, seja 40 vezes superior à taxa de suicídios consumados.
 

 

O Sul do país continua a apresentar a taxa média mais elevada do país (23,9 suicídios por 100 mil habitantes no Alentejo e 19 por 100 mil habitantes no Algarve). No Norte estes valores são de 2/100 mil habitantes, no Centro 4,4/100 mil, Lisboa e Vale do Tejo 10,7/100 mil, Açores 8,6/100 mil e Madeira 5/100 mil.
 

 

A taxa anual média da União Europeia, ao longo da última década, é de aproximadamente 15 suicídios por 100 mil habitantes. Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, por cada mulher suicidam-se três homens.
 

 

Fonte: Lusa

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