O segredo molecular escondido num medicamento natural chinês

Estudo publicado na “Nature Chemical Biology”

15 fevereiro 2012
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Investigadores da Harvard School of Dental Medicine, nos EUA, descobriram o segredo escondido no extrato da raiz de um tipo de hortênsia, que é utilizada há aproximadamente dois mil anos, pelos herbanários chineses, no tratamento da malária.

 

Estudos anteriores já tinham sugerido que a halofuginona (HF), um composto derivado deste extrato de planta, poderia ser utilizada no tratamento de muitas doenças autoimunes. Neste estudo publicado recentemente na revista “Nature Chemical Biology'” os investigadores perceberam os mecanismos moleculares responsáveis pelos benéficios deste composto.

 

Em 2009, os investigadores do atual estudo descobriram que a HF protegia contra os linfócitos Th17, células do sistema imunitário que estão envolvidas em várias doenças autoimunes como doença inflamatória do intestino, artrite reumatóide, esclerose múltipla e psoríase, sem danificar as células do sistema imune benéficas. Estudos posteriores revelaram que a HF ativava, de alguma forma, os genes envolvidos numa via recentemente descoberta, a AAR.

 

Os cientistas descobriram que esta via está envolvida na regulação do sistema imunitário, na sinalização do metabolismo, podendo aumentar o tempo de vida e atrasar o início das doenças inflamatórias associadas à idade. A AAR permite que as células saibam quando necessitam de preservar os seus recursos, por exemplo, quando uma célula deteta uma quantidade limitada de aminoácidos para a síntese de proteínas, a AAR irá bloquear os sinais que promovem a inflamação, pois os tecidos inflamados requerem uma grande quantidade de proteínas.

 

Neste estudo, os cientistas liderados por Malcolm Whitman, investigaram como a HF ativava a AAR, estudando o processo mais básico que as células utilizam para traduzir o código genético do ADN numa cadeia de aminoácidos, as unidades básicas das proteínas.

 

O estudo revelou que a HF tinha por alvo e inibia uma enzima responsável pela incorporação de um aminoácido, a prolina, nas proteínas. Quando este processo ocorre, a resposta da AAR é ativada e são assim produzidos os efeitos terapêuticos da HF.

 

Os investigadores acreditam que a HF mimetiza a privação celular da prolina, que ativa a resposta imune da AAR, e posteriormente a regulação do sistema imune. “Este composto, o HF, pode ser assim um novo e inspirador alvo terapêutico para uma vasta gama de doenças autoimunes”, revelou em comunicado de imprensa, Malcolm Whitman.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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