O segredo da eterna juventude pode estar nos répteis
28 maio 2002
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O segredo da eterna juventude pode estar guardado nos répteis, sugere um cientista português num trabalho que vai ser publicado na edição de Junho da revista Experimental Gerontology.
 

 

João Pedro de Magalhães, investigador em biologia do envelhecimento, sugere que o estudo de certas espécies de répteis, que aparentam não envelhecer, pode levar a descobertas sobre os mecanismos do envelhecimento.
 

 

No futuro, esse trabalho poderia mesmo conduzir ao desenvolvimento de terapias que permitissem abrandar o processo do envelhecimento nos seres humanos.
 

 

"A maioria das pessoas que trabalham na área do envelhecimento estudam minhocas e ratos. Não faz sentido quando sabemos que existem répteis e algumas espécies de baleias que parecem envelhecer muito devagar", sublinhou o investigador em declarações à Agência Lusa.
 

 

João Pedro de Magalhães, 24 anos, licenciou-se em Microbiologia em 1999 pela Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (Porto) e encontra-se actualmente a fazer o Doutoramento em biologia do envelhecimento na Universidade de Namur, Bélgica.
 

 

O trabalho do cientista baseou-se na relação, já demonstrada, entre tamanho e longevidade: ou seja, quando se comparam diferentes espécies de mamíferos verifica-se que animais de espécies maiores vivem, em média, mais tempo e envelhecem mais devagar.
 

 

O microbiologista português descobriu, contudo, que várias espécies de pequenos répteis vivem mais tempo do que seria de esperar e algumas, como certas tartarugas, aparentam não envelhecer.
 

 

"Uma das conclusões do estudo é que, em geral, os répteis envelhecem mais devagar que os mamíferos", afirmou.
 

 

O estudo sugere uma explicação para este facto: o envelhecimento nos mamíferos seria mais acelerado porque estes, depois de evoluírem a partir dos répteis, passaram cerca de cem milhões de anos como pequenos animais, ou seja com uma menor longevidade.
 

 

A hipótese defendida por João Pedro de Magalhães é que os genes que nos répteis permitem abrandar ou evitar o envelhecimento foram perdidos pelos pequenos mamíferos já que, de acordo com a teoria da evolução, não havia razão para os conservar.
 

 

Ou seja, identificar os genes que nos répteis lhes conferem uma maior longevidade pode ser importante para descobrir como abrandar o envelhecimento humano.
 

 

Como é impraticável estudar répteis que vivem várias décadas, a solução pode passar por estudar as células destes animais e comparar, por exemplo, mecanismos de reparação do ADN (ácido desoxirribonucleico) entre mamíferos e répteis.
 

 

A descodificação do genoma de um réptil, sublinha João Pedro de Magalhães, poderia ser um passo de gigante nesta área.
 

 

"Bastava, por exemplo, descobrir nos répteis determinado gene de reparação do ADN ou uma enzima anti-oxidante que não exista nos seres humanos para poder depois aplicar esse conhecimento no desenvolvimento de novas terapias", acrescentou.
 

 

Fonte: Lusa
 

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