O sal prejudica os órgãos

Estudo publicado no “Journal of the American College of Cardiology”

17 março 2015
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Um estudo recente demonstrou que o consumo excessivo de sódio através da dieta prejudica diversos órgãos, mesmo que não se verifique um aumento da tensão arterial.


O estudo conduzido por profissionais do Colégio de Ciências da Saúde da Universidade de Delaware e pelo Sistema de Saúde Christiana Care, EUA, evidenciou que o excesso de sal prejudica certos órgãos, como os vasos sanguíneos, coração, rins e cérebro.


Os potenciais efeitos sobre as artérias incluem uma redução na função do endotélio, que é o revestimento interno dos vasos sanguíneos. As células endoteliais são mediadoras em vários processos, como a coagulação, a aderência das plaquetas e a função imunológica. O consumo elevado de sódio provoca também o endurecimento das artérias.


Os investigadores William Farquhar e David Edwards, do Departamento de Cinesiologia e Fisiologia Aplicada da Universidade de Delaware, tinham já conduzido estudos sobre os malefícios do sal sobre as artérias e ao reverem o seu trabalho têm verificado cada vez mais evidências dos efeitos nocivos do sal sobre a função vascular, independentemente da tensão arterial.


David Edwards acrescenta ainda que seguir uma dieta com um elevado teor de sódio pode também provocar hipertrofia ventricular esquerda, ou o alargamento do tecido muscular que reveste a parede da principal câmara de bombeamento do coração. “À medida que as paredes da câmara engrossam, tornam-se menos flexíveis e, eventualmente, tornam-se incapazes de bombear com tanta força como um coração saudável”, adianta.


No que diz respeito aos rins, as quantidades elevadas de sódio provocam uma redução na função renal, o que foi observado com apenas um aumento mínimo na tensão arterial.


O sódio em grande quantidade pode ainda afetar o sistema nervoso simpático, que ativa a resposta conhecida como reação “lutar ou fugir”. Segundo William Farquhar, “o sódio cronicamente elevado poderá ‘sensibilizar’ os neurónios simpáticos no cérebro, causando uma resposta aumentada a uma variedade de estímulos, incluindo contração muscular e esquelética”.


“As respostas da tensão arterial às alterações no sódio oriundo da dieta variam largamente, tendo conduzido ao conceito de ‘tensão arterial sensível ao sal’”, afirma William Farquhar. “Não existem guias orientadoras padronizadas para classificar indivíduos como tendo tensão arterial sensível ao sal, mas se a tensão arterial subir durante um período de consumo elevado de sódio ou diminuir durante um período de restrição de sódio, a pessoa é considerada como sendo sensível ao sal. Se não se der nenhuma alteração na tensão arterial com a restrição de sódio, o indivíduo é considerado como sendo resistente ao sal”.


Sendo assim, urge tentar manter o consumo de sal nas doses recomendadas. Para adultos (16 anos ou mais), a Organização Mundial de Saúde recomenda a redução de ingestão de sódio para uma quantidade igual ou inferior a 2 g/dia, o que corresponde a 5 g/dia de sal. Atualmente, em Portugal, consome-se sensivelmente o dobro.


Para o efeito é necessário ter cuidado com alimentos processados, comida de restaurante, que tem normalmente mais sal do que a caseira, e com alimentos que parecem ter pouca quantidade de sal, (em que muitas vezes o que acontece é o contrário) como cereais e pão. Deve-se também privilegiar a utilização de ervas aromáticas e especiarias na preparação de refeições, de forma a reduzir a quantidade de sal adicionada.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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