O regresso aos choques eléctricos para combater doenças

EUA usam cada vez mais prática antiga

16 junho 2003
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Muitos pacientes com epilepsia quase precisam de um seguro especial para se precaverem das consequências dos ataques que, para muitos, acontecem algumas vezes por dia. E, para muitos doentes, os medicamentos para a epilepsia não apenas são ineficientes como provocavam sono, náuseas e dores de cabeça.
 

 

Norah Pauley, uma doente norte-americana entrevistada pela agência Reuters, refere que por mês tinha cerca de cem ataques. «Não conseguia controlá-los. Caía no chão a toda hora. A minha vida estava a esvair-se e um dia eu disse ao meu médico: “Não consigo mais viver neste corpo”.»
 

 

Há cinco anos, os médicos implantaram no peito de Norah um gerador de energia eléctrica do tamanho de um relógio de pulso para aplicar cargas intermitentes de electricidade no nervo vago, um dos mais longos do corpo, que se estende do abdómen ao cérebro.
 

 

Depois de um ano, os ataques desapareceram por completo. A também de dissipou. Esta norte-americana pertence a um grupo cada vez maior de doentes que recorre a tratamentos com estímulos eléctricos quando os medicamentos se mostram ineficientes.
 

 

A FDA (órgão dos EUA responsável pelo controlo de medicamentos e alimentos) aprovou em 1997 o uso de dois tipos de tratamento para a doença de Parkinson e epilepsia. E os investigadores estudam outros possíveis usos desta prática médica.
 

 

Os médicos dizem que dar choques no nervo, e desde que seja o nervo certo, pode ajudar a tratar de problemas aparentemente desconexos como a depressão, dores crónicas e obesidade.
 

 

A aplicação de choques eléctricos, uma prática muito usada no passado para tratar doentes mentais, passou a ter uma aplicação mais controlada com os by-pass, utilizados no caso de problemas cardíacos.
 

 

Recentemente, no entanto, os cientistas conseguiram desenvolver técnicas para aplicar choques bem menores a fim de promover um curto-circuito em sistemas nervosos com problemas. Para tal, os cientistas elaboraram várias teorias para explicar como funciona a técnica, chamada estimulação neural.
 

 

Os choques interrompem a corrente nos nervos que realizam disparos incorrectos, provocando ausências ou outros sintomas. A técnica consegue alterar os neurotransmissores químicos, responsáveis por levar os impulsos eléctricos através das sinapses, espaços existentes entre as células dos sistema nervoso. O estímulo do nervo vago, por exemplo, aparentemente interrompe a «tempestade» eléctrica que normalmente precede um ataque do tipo epiléptico.
 

 

O tratamento de casos de depressão com a técnica também produziu resultados animadores, mas os cientistas admitem não saber ao certo como o mecanismo funciona. Por isso, advertem há muito para ser investigado.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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