O que torna as células mutantes em cancros agressivos?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

31 maio 2016
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Investigadores americanos demonstraram como uma mutação genética presente em vários cancros, como leucemia, gliomas e melanoma, promove o crescimento de tumores agressivos, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 

O estudo conduzido pelos investigadores do Instituto de Investigação Scripps, nos EUA, também sugere uma possível forma de eliminar estes tumores ao ter por alvo uma enzima importante.
 

Os investigadores analisaram as mutações num gene que codifica para a proteína POT1. Esta proteína habitualmente forma uma capa protetora em torno das extremidades dos cromossomas, os telómeros, evitando que a maquinaria celular danifique por engano o ADN e cause mutações nocivas.
 

A POT1 é tão importante que na sua ausência ou perda de funcionalidade as células morrem. A presença de stress nas células conduz à ativação de uma enzima, a ATR, que desencadeia a morte celular programada. Com base neste conhecimento, os investigadores ficaram surpreendidos ao terem detetado mutações recorrentes que afetam a POT1 em vários cancros humanos, como a leucemia e o melanoma.
 

“De alguma forma essas células encontraram uma forma de sobreviver. Pensamos que se conseguíssemos perceber como isto ocorre, talvez fossemos capazes de encontrar uma forma de matar essas células”, referiu, em comunicado de imprensa, Lazzerini Denchi.
 

Através da utilização de um modelo animal, os investigadores descobriram que as mutações na POT1 conduziam ao cancro, quando combinadas com um gene conhecido por p53. “As células deixam de ter o mecanismo para morrer e os ratinhos desenvolvem linfomas tímicos agressivos”, referiu o investigador.
 

O p53 é um conhecido gene supressor tumoral que funciona como um cúmplice astuto. Quando este gene está mutado anula a resposta protetora da morte celular iniciada pela ATR. Desta forma, sem a POT1 a criar uma capa protetora, os cromossomas fundem-se e o ADN é reorganizado, conduzindo à acumulação de ainda mais mutações. Estas células mutantes proliferam e convertem-se em tumores agressivos.   
 

Com base nestes achados, a equipa começou a pensar em novas estratégias para eliminar estes tumores. Sabe-se que todas as células, mesmo as cancerígenas, morrem na ausência da ATR. Uma vez que os tumores com a POT1 já têm níveis baixos de ATR, os investigadores acreditam que um fármaco que destrua a restante enzima poderá matar os tumores sem afetar as células saudáveis.
 

“Este estudo mostra que ao analisar questões biológicas básicas podemos potencialmente encontrar novas formas de tratar o cancro”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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