"O que pensam os portugueses sobre o Estado Social"

Estudo do Instituto de Ciências Sociais

23 maio 2013
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Os portugueses sentem-se mais pessimistas quanto ao futuro do Estado Social, mas já perceberam que, devido à crise, não haverá capacidade para manter os atuais apoios sociais, concluiu um estudo do Instituto de Ciências Sociais.
 

"O que parece é que as pessoas estão como que resignadas" com o facto de serem necessários cortes e estão a dizer que, nos próximos 10 anos, "o Estado Social que herdamos do 25 de Abril e fomos construindo vai ter de ser redefinido, alterado e cortado", disse à agência Lusa o investigador Filipe Carreira da Silva.
 

O estudo denominado por “O que pensam os portugueses sobre o Estado Social", no qual 48% dos portugueses dizem que nos próximos 10 anos Portugal não vai ser capaz de manter o nível atual do Serviço Nacional de Saúde e do sistema público de educação, uma percentagem que sobe até aos 55% quando se trata das pensões de reforma.
 

De acordo com 65% dos 1.258 dos participantes, só os cidadãos que realmente precisam, e não todos, é que deviam beneficiar dos apoios sociais do Estado, na educação, saúde e segurança social, e 67% pensa que o Estado deve ser totalmente responsável por garantir, por exemplo, um nível de vida digno aos idosos.
 

Mais de um quarto dos portugueses inquiridos referiu que, se o Governo tivesse de reduzir os gastos com direitos sociais, devia garantir a todos os cidadãos, independentemente do nível de rendimento, o direito à saúde, educação, segurança social e habitação.
 

Para 42% dos inquiridos, "o Governo devia baixar os impostos e gastar muito menos em serviços e apoios sociais", um resultado que Filipe Carreira da Silva relacionou com a possibilidade de se tratar "de profissionais liberais, pessoas para quem o pagamento de impostos é uma coisa importante no final do mês".
 

À pergunta sobre qual o direito que seria mais preocupante não estar garantido a todos pelo Estado, 60% escolheu a saúde.
 

O investigador realçou que "as pessoas sabem que, neste momento, não há sustentabilidade financeira para manter" o nível atual de "investimento da parte do Estado, a universalidade ou a gratuitidade, princípios que estavam na Constituição desde 1975 e sobre os quais foi construído o Estado Social".
 

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