O que faz paralisar os músculos durante o sono?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

20 julho 2012
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Investigadores canadianos constataram que existem dois sistemas químicos no cérebro que funcionam conjuntamente para paralisar os músculos durante o movimento ocular rápido (REM, sigla em inglês). Este achado publicado “Journal of Neuroscience” poderá ajudar a tratar os distúrbios do sono, como a narcolepsia, bruxismo (ranger dos dentes) e distúrbio de comportamento do sono REM.
 

Durante o sono REM, o sono profundo onde maioria dos sonhos recordados ocorre, os músculos que movimentam os olhos e aqueles envolvidos na respiração continuam a movimentar-se, mas os restantes músculos param, para evitar possíveis lesões.  
 

Os investigadores da University of Toronto, no Canadá, descobriram que os neurotransmissores ácido gama-aminobutírico (GABA) e a glicina estão envolvidos na paralisia do sono REM. Em experiências realizadas em ratinhos foi constatado que estes dois neurotransmissores inativam um tipo de células cerebrais, os neurónios trigeminais, que permitem aos músculos estarem ativos.
 

“Através da identificação dos recetores e neurotransmissores envolvidos na paralisia associada ao sono, será possível desenvolver tratamentos para distúrbios motores associados ao sono, os quais são muita vezes debilitantes”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Dennis J. McGinty.
 

Os autores do estudo acrescentam que esta descoberta poderá ser especialmente importante para os indivíduos que sofrem de distúrbio de comportamento do sono REM, que é caracterizado por movimentos violentos e involuntários que são acompanhados por um excesso de atividade física. Esta doença pode assim causar lesões graves para estes pacientes, mas também para as pessoas à sua volta. Por outro aldo, este distúrbio é frequentemente um sinal precoce de doenças degenerativas, como a doença de Parkinson.
 

“Conhecer o mecanismo exato responsável pelo papel destes neurotransmissores no distúrbio de comportamento do sono REM é particularmente importante, uma vez que cerca de 80% dos indivíduos que sofrem deste distúrbio acabam por desenvolver uma doença neurodegenerativa. Como este distúrbio pode ser um marcador precoce destas doenças, o seu tratamento pode prevenir ou mesmo impedir o seu desenvolvimento”, explicou, o autor do estudo, John H. Peever.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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