O que é a gripe?
05 novembro 2001
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A gripe é uma doença causada por um vírus, sendo a sua transmissão feita por contágio directo, através do ar contaminado. O mais temível é que todas as pessoas são vulneráveis a contraí-la, podendo em alguns casos (em especial os idosos e imunodeprimidos) o desfecho ser fatal.
 

 

Qualquer vírus não é mais do que uma abertura proteica que envolve o material genético. No caso da gripe, o material genético afectado é o ARN. Quando o vírus entra nas células são criados vários milhares de novos vírus, que se desenvolvem em ciclos. A situação torna-se mais grave quando o vírus ataca o ADN, o que se manifesta numa gripe mais intensa.
 

 

A par disso, acresce ainda que o vírus da gripe, à semelhança de todos os outros, sofre pequenas ou grandes mutações: quando o material genético é afectado por uma «nova mutação», o organismo, por falta de defesas, fica totalmente desprotegido, o que acaba por dar origem às epidemias.
 

 

Uma das facetas interessantes do vírus da gripe é a forma como ele guarda o material genético. Dentro do vírus existe uma molécula de ARN, o seu património genético que está organizado num só bloco. No caso da gripe, a subdivisão de genes é feita em oito partes. Cada um destes genes estão separados, mas têm uma proteína correspondente. E estes vírus podem transformar-se, recombinando os genomas de outros vírus. Este processo chama-se antigénica e é o responsável pelas epidemias mais graves.
 

 

Durante a manifestação da gripe, o sistema imunitário produz anticorpos, que funcionam como um exército protector. Este «polícia» do organismo reconhece as várias partes do vírus, memorizando-as, para depois destruir os invasores. É com a ajuda deste processo que os investigadores conseguem elaborar vacinas eficazes contra a doença.
 

 

Dentro da superfície do vírus da gripe existem umas estruturas em forma de picos: os glicoproteínas de superfície. Os anticorpos reconhecem a zona das estruturas mais saliente: os epitopos.
 

 

Durante a evolução do vírus, detectam-se várias variantes, que são difíceis de combater. No fundo, são formas normais, mas sem epitopos diferentes.
 

 

É por isso que os anticorpos que se formam no corpo durante uma gripe não funcionam no ano a seguir. O mistério reside no facto do vírus se «mascarar» para a maioria dos anticorpos e tornar possível a ocorrência de epidemias. Se a camuflagem for pequena, produz uma epidemia controlada. Ao contrário, uma mudança maior do vírus poderá fazer alastrar a gripe a todo o mundo.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

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