O parasita da leishmaniose e as células dendríticas

Estudo conduzido por cientistas portugueses

30 agosto 2013
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Uma equipa de cientistas portugueses descobriu que o parasita da leishmaniose mantém-se no organismo com a ajuda do sistema imunitário do próprio hospedeiro.

 

Ricardo Silvestre, coordenador do estudo, e a equipa, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, estudaram a interação do parasita da leishmaniose e das células dendríticas em ratinhos e descobriarm a forma como esta interação se processa.

 

As células dendríticas são células imunitárias que são ativadas quando as barreiras da imunidade inata são derrubadas pelos invasores. Quando o organismo é ameaçado por um invasor, como uma bactéria ou célula cancerígena, as células dendríticas atuam engolindo-o. Adicionalmente recolhem e transportam informações do invasor para os linfócitos T, que um outro tipo de células imunitárias, “educando-as” para que estas também ataquem o invasor.

 

As células dendríticas imaturas têm a função de patrulhar o organismo à procura de invasores. As células dendríticas maduras deixam de ter essa função e instalam-se nos órgãos linfoides como fígado e baço, levando as informações dos invasores aos linfócitos T. Nesse local, instalam-se também pequenas quantidades de parasitas.

 

Neste estudo, os investigadores descobriram que são as células dendríticas maduras que permitem que a infeção se mantenha.

 

A não eliminação do parasita acontece porque as células dendríticas estimulam um certo grupo de linfócitos T, através de moléculas, e estes produzem uma substância que enfraquece o sistema imunitário do hospedeiro, em vez de anuquilarem o invasor. "Há uma subversão do sistema imunitário pelo próprio parasita", explica o investigador.

 

A equipa conseguiu ainda subverter a ação do parasita no sentido de se desenvolver possíveis tratamentos. Separaram, então, células dendríticas que tinham estado em contacto com o parasita, mas que não tinham ficado infetadas e, em seguida, inocularam essas células e os linfócitos T "educados" pelas mesmas, em ratinhos. Como resultado, foram eliminados 95% dos parasitas nos animais.

 

Segundo um comunicado do IBMC, "este grupo de investigadores é o primeiro a descrever o mecanismo ao qual o parasita Leishmania recorre para ludibriar o sistema imunitário do hospedeiro, mantendo-se numa forma crónica de infeção".

 

Ricardo Silvestre conclui que "com este trabalho, percebemos que é possível reverter a condição crónica da leishmaniose, com células dendríticas expostas ao parasita mas que não são infetadas por ele".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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