O papel dos smartphones e tablets na avaliação do desenvolvimento infantil

Estudo publicado nos “Archives of Disease in Childhood”

29 dezembro 2015
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As crianças com dois anos de idade são adeptas de ecrãs táteis, conseguindo mover, desbloquear e procurar ativamente características nos smartphones e tablets. O estudo publicado nos “Archives of Disease in Childhood” sugere que esta tecnologia pode desempenhar um potencial papel na avaliação do desenvolvimento infantil.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Cork, na Irlanda, realizaram 82 questionários referentes à acessibilidade e utilização de ecrãs táteis aos pais de crianças com idades compreendidas entre os 12 meses e os 3 anos.
 
Os pais foram questionados sobre o tempo que os filhos utilizavam diariamente este tipo de tecnologia e se eram capazes de desbloquear o ecrã, deslizar entre páginas ou imagens, bem como reconhecer e interagir com características específicas, como os ícones de aplicações para jogos. Foi ainda questionado se os pais tinham descarregado jogos ou aplicações para os filhos utilizarem.
 
A maioria dos pais (82%) tinha um dispositivo com ecrã tátil nomeadamente um smartphone ou tablet. Destes, 87% deixava os filhos jogarem 15 minutos por dia e 62% tinha descarregado aplicações para as crianças.
 
O estudo apurou que 91% dos pais referiu que os filhos eram capazes de deslizar o ecrã, 50% conseguiam desbloquear o ecrã e 64% conseguiam procurar aplicações. A idade média das crianças que tinham a capacidade para realizar estas três tarefas era de 24 meses, enquanto a média de idades para identificar e utilizar características do ecrã tátil específicas era de 25 meses.
 
Os investigadores constataram que no geral, uma em cada três crianças foi capaz de realizar as quatro tarefas, em média, aos 29 meses e as crianças com menos de 12 meses eram capazes de utilizar regularmente os ecrãs táteis.
 
Em 1999, a Academia Pediátrica Americana desencorajou o tempo que as crianças com menos de dois anos despendiam em frente a um ecrã pois este poderia prejudicar o desenvolvimento das crianças.
 
Contudo, estas recomendações foram feitas antes do ecrã tátil ter surgido, o qual pode ter um impacto diferente no desenvolvimento do cérebro das crianças.
 
"As aplicações interativas e táteis apresentam um nível de envolvimento distinto daquele envolvido noutros meios de comunicação e são mais parecidas com os jogos tradicionais. Estas aplicações poderão ajudar na avaliação do desenvolvimento e na intervenção precoce das crianças de elevado risco”, revelaram, em comunicado de imprensa, os autores do estudo.
 
Os investigadores referem que apesar de existirem várias aplicações para as crianças ainda não há regulação relativamente à qualidade, valor educacional ou segurança.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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