O papel do gene BRCA1 na reparação do ADN

Estudo publicado na revista “Nature Structural and Molecular Biology”

02 junho 2016
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Investigadores do Reino Unido estão mais perto de compreender o papel do gene BRCA1, cujas alterações estão associadas ao maior risco de desenvolvimento do cancro da mama e do ovário, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Structural and Molecular Biology”.
 

Os investigadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, explicam como o gene incentiva a ligação da proteína ubiquitina a outras proteínas, desempenhando um papel importante na reparação do ADN.
 

O gene BRCA1 codifica uma proteína que pode ligar a ubiquitina, que ajuda a regular processos no organismo, a outras proteínas. Contudo, até à data pouco se sabia sobre esta atividade na reparação do ADN.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Jo Morris, constataram que esta ligação da ubiquitina mediada pela BRCA1 (atividade ubiquitina ligase) é necessária para um tipo específico de reparação de ADN “sem erros”. Sabe-se que as células que não têm este tipo de reparação do ADN podem desenvolver mutações que conduzem ao desenvolvimento do cancro. As células que não apresentam este tipo de atividade ubiquitina ligase são mais sensíveis a determinados agentes que danificam o ADN.
 

Na opinião do investigador, estes resultados podem ajudar a explicar por que motivo algumas mutações que predispõem para o cancro são encontradas na parte do gene BRCA1 que permite que funcione como ubiquitina ligase.
 

Os cientistas descobriram que a capacidade de o gene ligar a ubiquitina está dependente de uma proteína conhecida por BARD1. Ao utilizarem as versões alteradas da BARD1, tendo a proteína BRCA1 permanecido intacta, os investigadores identificaram a capacidade de ligação da BRCA1 e demonstraram que esta é necessária para a célula responder e reparar devidamente os danos no ADN.
 

Na opinião do investigador, o facto de se ter descoberto que o gene BRCA1 tem várias funções independentes na reparação do ADN tem implicações no tratamento.
 

“Os médicos estão atualmente preocupados com o facto de as pacientes com cancro da mama que têm níveis baixos ou ausentes de BRCA1 poderem ficar resistentes a agentes terapêuticos, como é o caso do Olaparib. Os nossos dados demonstram que as células cancerígenas sem o BRCA1 têm mais do que um calcanhar de Aquiles, e, assim, desta forma, há mais vias para atingir os cancros e consequentemente impedir que os tumores se tornem resistentes aos tratamentos”, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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