O papel do cérebro no espírito natalício

Estudo publicado no “British Medical Journal”

24 dezembro 2015
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Ninguém diria que há um lugar no cérebro dedicado ao espírito natalício, mas um estudo publicado no “British Medical Journal” garante que sim. 
 
O espírito natalício carateriza-se por sentimentos de alegria, felicidade e nostalgia combinados com presentes, cheiros deliciosos e boa comida.
 
Aparentemente, estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo tenham tendência para apresentar um espírito natalício “deficiente”. Daí que uma equipa de investigadores do Rigshospitalet, um hospital afiliado à Universidade de Copenhaga, tenha decidido recorrer à imagem por ressonância magnética funcional (fMRI, do inglês Functional Magnetic Ressonance Imaging) com vista a perceber melhor o papel do cérebro nas festividades culturais e, mais particularmente, no espírito natalício.
 
Este tipo de ressonância mede as alterações na oxigenação e fluxo do sangue do sangue que ocorrem em resposta à atividade neuronal e produzem mapas de ativação que mostram quais as partes do cérebro envolvidas em determinados processos mentais.
 
Os participantes incluíram 10 pessoas que celebravam o Natal e outras 10 que não celebravam, todas elas saudáveis.
 
Para o estudo, todos os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas funcionais enquanto visualizavam 84 imagens através de óculos de vídeo. Cada imagem era visualizada durante dois segundos e após cada seis imagens relacionadas com a temática do Natal seguiam-se outras seis de cenas típicas do dia-a-dia. Antes de serem submetidos às ressonâncias, nenhum dos participantes pôde consumir eggnog (uma tradicional bebida norte-americana, servida na ceia de Natal e muito semelhante à gemada) nem sobremesas com gengibre.
 
Após a experiência, os participantes tinham de preencher um questionário acerca das suas tradições natalícias, dos sentimentos que a quadra natalícia lhes despertava e sobre a sua etnia.
 
Os resultados permitiram que os investigadores dividissem os participantes em dois grupos: o grupo “natalício” e o grupo “não natalício”. Os primeiros revelavam sentimentos positivos em relação ao Natal e os segundos apresentavam sentimentos neutros.
 
Ao analisarem os mapas de ativação do cérebro, verificaram que o grupo “natalício” apresentava uma maior atividade cerebral no córtex motor primário esquerdo e pré-motor, no lobo parietal inferior e superior direito e no córtex somatossensorial primário bilateral sempre que visualizava imagens relacionadas com essa festividade. 
 
Todas estas áreas do cérebro estão associadas com a espiritualidade, com o reconhecimento de emoções faciais, etc. Os lóbulos parietais direito e esquerdo, por exemplo, desempenham um papel importante na autotranscendência, aspeto da personalidade associado aos valores espirituais do ser humano.  
 
Os resultados deste estudo devem, claro, ser interpretados com precaução, alertam os investigadores. “Algo tão mágico e complexo como o espírito natalício não pode ser totalmente explicado através do mapeamento da atividade cerebral”, acrescentam.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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