O papel das células cerebrais na obesidade

Estudo publicado na “Nature Neuroscience”

31 maio 2012
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Investigadores americanos descobriram que as células nervosas formadas numa região específica do cérebro podem influenciar a quantidade de alimentos consumidos e consequentemente o peso, dá conta um estudo publicado na “Nature Neuroscience”.

 

É sabido já há algumas décadas que o cérebro continua a formar novas células nervosas até à idade adulta, acreditando-se porém que este processo, denominado por neurogénese, só ocorria em duas áreas do cérebro: no hipocampo e no bolbo olfativo, respetivamente associados com a função da memória e o olfato.

 

Neste estudo os investigadores da Johns Hopkins University School of Medicine, nos EUA, descobriram um terceiro local que também está envolvido na produção de neurónios, o hipotálamo. Esta região do cérebro está associada com várias funções do organismo, nomeadamente temperatura corporal, sono, fome e sede. Contudo, ainda eram conhecidas a fonte precisa da neurogénese nem a função dos novos neurónios.

 

Para o estudo os investigadores, liderados por Seth Blackshaw, utilizaram um modelo de ratinho tendo verificado que havia aumento do crescimento celular na eminência mediana do hipotálamo. Após terem analisado este tipo de células de proliferação rápida, os autores do estudo descobriram que estas eram um tipo específico células ependimárias e que estavam envolvidas na formação de neurónios.

 

Posteriormente, os investigadores avaliaram a função destas células. Com base nos resultados de estudos anteriores que tinham indicado que os animais alimentados com uma dieta rica em gordura apresentavam um maior risco de obesidade e síndrome metabólico, os investigadores foram investigar se a neurogénese no hipotálamo poderia estar envolvida neste processo.

 

O estudo demonstrou que em comparação com os ratinhos alimentados com uma dieta normal, a neurogénese tinha quadruplicado nos animais adultos que tinham sido alimentados, desde o desmame, com uma dieta rica em gordura. Estes ratinhos tinham também ganho mais peso e apresentavam uma maior quantidade de massa gorda, do que os animais alimentados com uma dieta normal. Adicionalmente, após terem eliminado as novas células nervosas os autores do estudo observaram que os ratinhos alimentados com uma dieta rica em gorduras ganhavam menos peso e gordura e eram mais ativos, do que animais alimentados com uma dieta normal. O que indica que estes neurónios têm um grande impacto na regulação do peso, armazenamento de gordura e gasto de energia.

 

Seth Blackshaw explica que “as pessoas tipicamente pensam que o crescimento de novas células nervosas é positivo, mas é só mais uma forma de o cérebro modificar o comportamento”.

 

Apesar de estes resultados necessitarem de uma posterior validação, na opinião do investigador, estes resultados poderão ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos da obesidade que tenham por alvo o bloqueio da neurogénese no hipotálamo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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