O papel da flora na prevenção das alergias

Estudo publicada na revista “Science”

15 julho 2015
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Investigadores franceses descobriram por que motivo a perda das bactérias simbióticas podem promover o desenvolvimento de alergias. O estudo publicado na revista “Science” revelou como a flora atua no equilíbrio do sistema imunológico, tendo demonstrado que a presença de microrganismos específicos bloqueia as células imunológicas que desencadeiam alergias.
 

A hipótese da higiene sugere que há uma associação entre o declínio de doenças infeciosas e o aumento das doenças alérgicas em países industrializados. As melhorias nos níveis de higiene conduzem necessariamente a um contacto reduzido com microrganismos, o que ocorre em paralelo com um aumento da incidência de doenças alérgicas e autoimunes, tais como a diabetes de tipo 1.
 

Estudos epidemiológicos têm apoiado esta hipótese ao mostrarem que as crianças que vivem em contacto com animais, e consequentemente também com agentes microbianos, têm menos alergias. Por outro lado, estudos em animais têm demonstrado que a administração de antibióticos nos primeiros de dias de vida resulta na perda de bactérias simbióticas e consequentemente no aumento da incidência de alergia.
 

Contudo, até à data não se conheciam quais os mecanismos responsáveis por este processo. Agora os investigadores do Instituto Pasteur, em França, demonstraram, em ratinhos, que os microrganismos simbióticos intestinais atuam no sistema imunológico bloqueando as reações alérgicas.
 

Existem vários tipos de resposta imunológica que podem ser gerados de forma a defender o organismo. A presença de microrganismos provoca uma resposta imunológica por parte de um tipo de células conhecidas por tipo 3. Estas células imunológicas coordenam a fagocitose e a eliminação dos microrganismos. Contudo, no caso da infeção por alguns agentes patogénicos de dimensões elevadas, como parasitas e determinados agentes alergénios, as células que os eliminam, mas também estão envolvidas nas reações alérgicas, são as células tipo 2.
 

No estudo, os investigadores demonstraram que as células do tipo 3 são ativadas durante uma agressão microbiana e atuam diretamente nas células tipo 2, bloqueando a sua atividade. As células tipo 2 ficam consequentemente incapazes de gerar uma resposta imune alérgica. O estudo demonstrou que a flora regula indiretamente a resposta imune tipo 2 ao induzir as células tipo 3.
 

Estes resultados ajudam a explicar como um desequilíbrio na flora desencadeia uma resposta exagerada do tipo 2, que é normalmente utilizada para lutar contra parasitas de elevadas dimensões, mas que também conduz a respostas alérgicas.
 

Na opinião dos investigadores estes resultados representam um marco importante no conhecimento do equilíbrio entre os vários mecanismos de defesa.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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