O papel da dopamina na regulação do sono

Estudo publicado no “PLoS Biology”

22 junho 2012
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Investigadores espanhóis descobriram uma nova função do neurotransmissor dopamina, associada com o controlo da regulação do sono, dá conta um estudo publicado no “PLoS Biology”.

 

Todos os animais respondem aos ciclos de luz e escuridão, mediando os padrões de sono, alimentação, temperatura corporal e outras funções biológicas. A glândula pineal traduz os sinais de luz, recebidos pela retina, numa linguagem compreensível para o restante organismo, nomeadamente através da síntese da hormona melatonina, que é produzida e libertada durante a noite, que ajuda a regular a atividade metabólica do organismo durante o sono.

 

Uma outra hormona, a norepinefrina, está envolvida na regulação desta síntese e libertação da melatonina na glândula pineal. A norepinefrina consegue levar a cabo as suas funções através da sua ligação aos recetores presentes nas membranas das células. Até à data acreditava-se que estes recetores atuavam independentemente de outras proteínas, mas neste estudo os investigadores do Centro de Investigación Biomédica en Red de Enfermedades Neurodegenerativas, em Espanha, descobriram que que estes recetores se associam aos recetores da dopamina, formando heterómeros.

 

Os investigadores constataram que, quando a dopamina interage com os seus recetores, inibe os efeitos da norepinefrina, conduzindo à diminuição da produção e libertação da melatonina. Curiosamente, os autores do estudo verificaram que os recetores da dopamina só aparecem na glândula pineal no final da noite, quando o período de escuridão termina. Deste, modo os cientistas concluem que a formação destes heterómeros é o mecanismo através do qual a produção de melatonina é impedida quando o dia começa e é necessário “despertar” o cérebro.

 

“Estes resultados são interessantes pois demonstram o mecanismo no qual a dopamina consegue inibir diretamente a produção e libertação de uma molécula, a melatonina, que induz a sonolência e prepara o organismo para o sono”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, McCormick.

 

Esta descoberta da nova função da dopamina poderá ser extremamente útil aquando do desenho de novos tratamentos que ajudem a mitigar os distúrbios do ritmo circadiano, como aqueles que ocorrem no “jet lag”, nos indivíduos que trabalham de noite e nos casos de distúrbios de sono em geral. Os quais segundo a Organização Mundial de saúde afetam 40% da população.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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