O misterioso cérebro de Einstein

Genialidade do físico está inscrita no tamanho dos neurónios

16 novembro 2001
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A genialidade do físico alemão Albert Einstein é indiscutível. Nascido a 14 de Março de 1879, numa pequena cidade do sul da Alemanha, o homem que viria a tornar-se um dos expoentes máximos da física mundial foi um aluno medíocre durante o ensino secundário.
 

 

Mas se o génio não tinha «queda» para a escola, bem cedo revela um «inclinação» natural para a compreensão dos fenómenos da natureza. Com apenas 26 anos, o cientista apresenta a Teoria da Relatividade Restrita, que abre novos caminhos para o desenvolvimento teórico da Física. No mesmo ano ainda apresenta uma nova teoria sobre o efeito fotoeléctrico com a qual recebe o Prémio Nobel de Física em 1921. (ver Quem foi Einstein?)
 

 

Cérebro diferente
 

 

Mas será que este aluno medíocre e físico brilhante era portador de alguma anomalia física, que o dotou de uma inteligência fora do comum. Muito se tem falado sobre o assunto, mas agora um estudo recente, apresentado durante o encontro anual da Society for Neuroscience, na Califórnia, vem acrescentar algo mais para deslindar os «mistérios» do cérebro de Einstein. De facto, o cérebro do físico é diferente do apresentado pela média das pessoas.
 

 

Para verificar se a massa cinzenta do génio poderia ter características especiais, Dhalia W. Zaidel, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, examinou duas lâminas do cérebro do físico feitas logo após sua morte, aos 76 anos, em 1955.
 

 

Zaidel comparou o cérebro de Einstein ao tecido de dez pessoas com nível normal de inteligência, cujas idades ao morrer variavam entre 22 e 84 anos. O material continha amostras do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória e associação de palavras.
 

 

Os neurónios do lado esquerdo do hipocampo do vencedor do Prémio Nobel eram bem maiores que as células do lado direito. Para Zaidel, estes resultados foram «bastante diferentes» dos encontrados no cérebro de pessoas com inteligência normal.
 

 

Neurónios maiores
 

 

Em termos científicos, a existência de neurónios maiores no hipocampo esquerdo, salientou a investigadora, implica a possibilidade de o lado esquerdo do cérebro de Einstein ter tido conexões nervosas mais fortes entre o hipocampo e uma outra parte do cérebro chamada neocórtex, comparado ao lado direito. É precisamente no neocórtex, contou a cientista, que «ocorrem os pensamentos detalhados, lógicos, analíticos e inovadores».
 

 

Anomalia?
 

 

Que Einstein foi dotado de uma massa encefálica extraordinária é incontestável, mas a configuração «pouco vulgar» do cérebro do cientista continua envolta em mistério. Estaria já determinada nos genes, foi desenvolvida com o crescimento ou como uma anormalidade? Zaider tem muitas dúvidas. Em entrevista à Reuters Health, a investigadora explicou a impossibilidade de efectuar estudos comparativos para resolver este enigma. «Não há bancos de tecido cerebral de génios», comenta a investigadora.
 

 

A chave para explicar a genialidade de Einstein está mesmo guardada com o tempo. A investigadora espera obter amostras de tecido cerebral de «todos os cientistas brilhantes e particularmente dos físicos». Só deste modo ficaremos a saber quais foram os mecanismos que dotaram Einstein de uma invulgar inteligência.
 

 

Quem foi Einsten
 

 

Einsten guarda desde criança todo o potencial que virá a desenvolver mais tarde. Durante a infância tem como brinquedo preferido uma bússola oferecida por familiares. O génio da física traça o seu caminho. Na escola, contudo, a situação é muito diferente. Nutre um certo ódio pelos duros métodos de ensino e acaba mesmo por ser expulso do liceu que frequentava em Munique.
 

 

Muda-se com a família para Milão, onde, atendendo aos insistentes apelos do pai - que está à beira da falência pede-lhe que termine logo os estudos para arranjar trabalho - acaba por ingressar na Escola Politécnica de Zurique, na Suíça alemã e forma-se em 1900.
 

Durante o período da universidade, dedica grande parte do seu tempo à leitura de trabalhos dos mestres do século XIX, em especial sobre os problemas da Física.
 

 

Com o curso acabado, Einstein não consegue o cargo de assistente na Escola Politécnica, ganhando a vida a dar explicações particulares. Com dificuldades económicas e já casado, o físico consegue um emprego numa repartição de patentes em Berna, Suíça.
 

 

Com o pouco trabalho e à atmosfera razoavelmente serena da repartição, Einstein produz a maior parte da obra científica que o imortalizaria: três trabalhos publicados em 1905. O primeiro dos quais sobre o efeito fotoeléctrico valeu-lhe o Prémio Nobel de Física em 1921. O segundo estudo, sobre o movimento browniano, não só prova de maneira irrefutável a teoria cinética do calor, como fornece a melhor prova «directa» da existência das moléculas. No seu terceiro trabalho, intitulado «Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento», estão lançadas as bases da Teoria da Relatividade Restrita, que abre novos caminhos para o desenvolvimento teórico da Física.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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